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12/04/2011

Chandelier da Yuyu e os planos infalíveis para ganhar presente dos pais

A Mayara pediu, familia também; por isso aí vai o sonho de consumo de minha filhoquinha: o tão pedido chandelier...

Foram meses me torrando os ouvidos e dias pesquisando nos sites japoneses até encontrar do jeito que ela queria...

Parcial do quarto, falta pouco pra ficar como ela quer
E me atire a primeira pedra a mãe que não procura realizar os sonhos dos filhos... Não faço todas as vontades, muito pelo contrário; meus filhos sabem bem o significado do não e aprenderam a lidar bem com as pequenas frustações desde cedo.
Dizer não é ótimo na formação do caráter.
Eu sou até um pouco ranzinza, admito. Me recuso a comprar besteiras desnecessárias que logo irão parar no lixo ou que são apenas pedidos impulsivos. Porém, nunca recuso a compra de livros e mangás, que eles adoram e que é importante no incentivo a leitura.
As vezes os pedidos são completamente dispensáveis, mas aí eles me olham desse jeito aí de baixo e as vezes vão quebrando minhas resistências, como os passarinhos do Angry Birds...

Essa é a carinha de quando quer alguma coisa... De acordo com o grau do querer, aumentam os trejeitos e as mãos entrelaçam na altura do rosto, como uma prece... Também são acrescentadas musiquinhas e elogios à mim, sempre no diminutivo.
(com quem eles aprendem essas coisas?)
Esse já é criado... sabe como pedir de mansinho... só na humildade... Esse sorriso significa " mamãe... você sabe né?" e vem sempre quando eu me faço de louca pra passar bem. Seu forte é o apelo emocional de forma subliminar, ele é mestre neste quisito.

Essa é a cara de impaciência, quando eu finjo que não tô ligada no que ele quer me mostrar comprar . Como dá pra notar ao fundo, estamos numa livraria, passeio rotineiro aqui do povo de casa. Nesse caso, ele sempre leva, mas só se não me torrar os ouvidos...  
 
E essa é a mais pura cara de pau. Aparece sempre depois que eu delato em viva voz os planos mirabolantes dele pra tentar me convencer. Geralmente ele fica sem graça; encabulado, ri muito e acaba pedindo desculpas sem as vezes precisar... E é aí que ele me ganha... 


Miss Yang se diverte com a capacidade de superação na arte de seduzir e convencer os pais às compras das crianças de hoje. O divertimento é maior ainda por que eles pensam que nos enganam...

11/04/2011

Um Mês se Passou...

O nome da música é "Watashi ni dekiru koto". Quem canta é Kokia.




O mês correu pesado, com sustos, receios, incertezas e muita tristeza. Foi difícil para todos ficar alheio à situação ainda visceral vivida na região de Tohoku.
A reconstrução está ao melhor estilo japonês, organizada, limpa e ordeira e acelerada.
Mas para quem não tem perspectiva de futuro, aliado ao vazio de perdas sentimentais, cada segundo é um dia. Cada dia é um mês inteiro.
Como já disse aqui, me compadeço em especial com as crianças, muitas ainda sem o braço protetor de alguém familiar que lhe possa dar um conforto, mesmo que esse seja silencioso. O governo ainda está pensando  como ajudará estas crianças a encontrar um novo lar.
As campanhas de ajuda para as vítimas pipocam por todo o Japão, entre todas as nacionalidades que vivem aqui. Apesar de muita coisa já ter sido distribuída (brasileiros são os que mais estão contribuindo na arrecadação e distribuição de mantimentos e alimentos, sendo reconhecidos pelo governo e pela mídia por sua agilidade em ajudar os desabrigados), ainda está longe o dia em que a arrecadação de produtos básicos e dinheiro acabará.
Muito já foi feito, mas muito é pouco quando não se tem nada. Ou quando se perde tudo.
Mensagens de apoio e incentivo ao povo japonês são amplamente divulgadas pela net, vindas de todas as regiões do mundo. Isso é muito comovente. 
Acima, coloquei um vídeo de apoio às vítimas muito legal feito por estudantes. Abaixo, cartazes que achei na rede que dizem a frase mais ouvida por aqui: Força Japão!
Escolhi estes cartazes por serem temas que amo: Sakurás (que por sinal estão nas ruas para nos alegrar a alma) e Ultraseven (paixão desde criancinha).

30/03/2011

E a vida segue: aberta a temporada de aniversários aqui em casa

Sábado foi níver da yuyu. Por conta de tudo que acontece nesse arquipélago, não me sinto a vontade de fazer grandes comemorações.  Mas ela é criança, fez 7 anos, entende o por que de não ter festa, mas não abre mão do presente. Justo, afinal de contas, no micromundo dela, não existem tragédias.

O Lo foi acampar com o grupo de escoteiro e não pôde participar da festa particular da irmã,  que teve cakes gostosinhos e o tão falado  chandelier do quarto (comprado antes da tragédia e devidamente escondido) que lhe causava insônia de tanto querer. Ela amou, eu fiquei aliviada e surpresa com a maturidade da minha caçula e felicidade dela com tão pouco. Me sinto com a sensação de dever cumprido, ao menos no que se refere no repasse de valores. É bom saber que nossos filhos entendem quando se diz "não" e o por que do não.   Abaixo, fotenhos da house party:


Essa caixa fowfa é a uma das embalagens da patissérie. Carinho e delicadeza com o cliente, marca registrada do Japão.


Yuyu era só sorrisos por ter ganho seu chandelier (lustre estilo de princesa).  Fico devendo a foto...

Doces para comer com todos os sentidos apurados. Impossível não praticar nenhum pecado capital...



 filho disse: "Não  precisa ter festa, mas uma fotinho só  mamãe!"
- Ok, vc venceu... mas só uma!!

 E hoje, é meu aniversário. 
 Por motivos óbvios, não quero festa nem presente, doarei o valor de um bom presente para as vítimas. Isso me faz sentir menos culpada por estar vivendo sem muitas privações, além de me parecer o mais correto a ser feito.
Apesar da calma aparente, de minha região não ter tido muitas alterações na rotina e do abastecimento nos supermercados estar voltando ao normal, a ferida viva ainda hemorrágica do nordeste está lá, todas as manhãs no noticiário, para nos lembrar que ainda não acabou.
E enquanto não acabar, acho sensato economizar em supérfluos, economizar em grandes comemorações e tal. Não que a vida tenha que parar por que muitos sofrem, não é isso; mas pelo menos ter o bom senso de que as coisas mudaram e  que AINDA tem gente com fome, sede, frio e sofrendo pelos que sumiram.
Pensem o que quiserem de mim, mas eu simplesmente não consigo viver numa boa e ignorar este fato.

16/03/2011

Fotos do Terremoto que prometi

Fotos que tirei da tv, na hora em que tudo acontecia e que o mundo ainda não imaginava o que passava por aqui e fotos de ontem nos mercados e drugs na minha busca por água.

Foto tirada do drug, ontem a noite. Dizendo que tá complicado o abastecimento de água, e que não tem previsão de quando chegará.
Caixas de chá, a única coisa que consegui comprar na falta de água.
Prateleiras vazias. Esta cena se repetiu em todos os seis estabelecimentos em que fui.
Os lamens, macarrões instantâneos, também estão sumindo. Em alguns lugares, está sendo limitado 2 por pessoa.
Prateleira de água mineral no supermercado.
Prateleira de papel higiênico e de lenço de papel vazias. Os japoneses estão estocando por que no terremoto de Kobe houve falta desses ítens. Precaução adquirida com o passado.

15/03/2011

Tragédia no Japão: Imagens e últimas notícias

As fotos falam por si. Mas as que mais me marcaram, foram as das rodovias tragando os carros, a tsunami em chamas queimando o que estava na frente, o redemoinho no mar engolindo o barco e os navios cargueiros no meio das avenidas.
são cenas que nunca mais esquecerei.
Hoje já começamos o dia com a notícia de mais um reator com sérios problemas e com aumento da radioatividade no ar.
De tarde já soubemos que a radiação chegou em Tokyo e de noite que aqui na minha cidade, muito longe de tudo isso, começará o racionamento de energia na sexta -feira.
Saí as pressas para comprar água, pois meus vizinhos vieram me avisar que já está em falta nas lojas. Fui em seis estabelecimentos, todos lotados e nenhum tinha água. Tive que comprar chá. Peguei os últimos 3 pacotes de pão. Papel higiênico, lenço de papel, lamen e biscoitos também estão no fim. Amanhã posto as fotos dos mercados que percorri.
se alguém que mora aqui no Japão estiver lendo isso, estoquem arroz, esse além de faltar subirá absurdamente o preço. Não esqueçam que a região afetada pelo terremoto e pelo tsunami era a maior produtora de arroz do Japão.
Outra coisa que fiquei sabendo, não há mais passagens aéreas para lugar nenhum. Nem combustível para os aviões. As refinarias não estão produzindo. Estão dizendo que o governo fechou os aeroportos, isso ainda precisa  ser confirmado.
Vou dormir agora, espero ter melhores notícias amanhã.