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19/11/2009

Outono em Meu Coração

Hoje o dia está cinza, daquele tipo de cinza que entristece, que faz os ossos tremerem, as mãos gelarem e a pele enrugar.
Com a gripe (que ainda demonstra estar presente através dos espirros e dores no corpo), só tenho saído do casulo pra levar e buscar a Yuyu no ponto do ônibus da creche, e mesmo esse curto percurso já me é suficiente para sentir a tristeza do dia.

O inverno é bem mais acolhedor, embora traga consigo a melancolia dos dias gris e o canto uivante dos ventos gélidos. Nessas horas, muito mais que em outras, sinto saudades de meus pais.

Percebo isso através de meus filhos, que em dias quentes querem a liberdade e só lembram de mim no final da tarde, já em casa, exaustos depois de um dia cheio de brincadeiras com os amigos na escola, no parque ou em qualquer lugar que não seja fechado.

Agora, com o frio que chegou com toda sua impiedade, eles estão sempre aqui. Na minha volta, querendo se aquecer ao dividir a mesma manta sobre o sofá, ao sorrir de forma carinhosa quando lhes dou um chocolate quente ou uma chícara de chá e pedindo pra deitar junto na hora de dormir.

Essa é o vazio que sinto. A falta de ter meus pais perto de mim para me fazerem esses pequenos mimos que filho adora e que faz com que a gente se sinta protegido.

Sei que estou chatinha, talvez seja a gripe. Mas esse dia cinza não contribuiu em nada para que meu humor estive melhor. E por mais que compense morar no Japão, certas coisas sempre serão insubstituíveis.

Posso ter o cobertor mais fofo e quentinho do mundo, o aquecedor com a melhor tecnologia e a casa dos sonhos de muita gente; mas pago um preço alto por isso. A falta que meus pais e minha irmã me fazem muitas vezes me faz refletir.

Se eu pensar como filha, com toda a certeza não vale a pena.
Mas se eu pensar como mãe - e no momento sou mais isso que qualquer outra coisa - o sacrifício é compensador. Então o que tenho que fazer é não pensar nesse assunto.

A qualidade de ensino, a tranquilidade e segurança para o desenvolvimento de uma criança é incontestável aqui no Japão. Não sei se teria essa paz no Brasil.

Então, o que me resta é desabafar por aqui mesmo.
Pois se fico assim, meio down, é culpa do cinza.
Do dia cinza e frio que faz lá fora.

23/09/2008

Equinócio de Outono

Viva a estação mais linda do ano! Me sinto privilegiada por morar num lugar onde as estações do ano além de bem definidas, possuem belezas tão singulares com características inexistentes em outro lugar do planeta.


Estação da renovação, onde as folhas amarelam ou avermelham e depois caem para dar lugar a novos brotos no futuro. Época do kooyoo-gari, a apreciação das árvores vermelhas, que nos presenteiam com todo seu esplendor dispensando qualquer forma de verbalização. Apenas o olhar se torna essencial.


Hoje chegou a estação vermelha. Nessa época me sinto em êxtase, por morar próximo as montanhas, tenho emoldurado pela janela um horizonte de nuances amarelo-avermelhadas que dispensam qualquer classificação.

Serão poucos meses para curtir ao máximo tudo isso, na melhor estação do ano. Mas como tudo que é bom dura pouco, logo logo a paisagem muda para se preparar ao rigoroso inverno.
Até lá, vou andando por caminhos de folhas coloridas no país vermelho, renovando minha alma e enchendo minha vida de amarelo.