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12/04/2011

Chandelier da Yuyu e os planos infalíveis para ganhar presente dos pais

A Mayara pediu, familia também; por isso aí vai o sonho de consumo de minha filhoquinha: o tão pedido chandelier...

Foram meses me torrando os ouvidos e dias pesquisando nos sites japoneses até encontrar do jeito que ela queria...

Parcial do quarto, falta pouco pra ficar como ela quer
E me atire a primeira pedra a mãe que não procura realizar os sonhos dos filhos... Não faço todas as vontades, muito pelo contrário; meus filhos sabem bem o significado do não e aprenderam a lidar bem com as pequenas frustações desde cedo.
Dizer não é ótimo na formação do caráter.
Eu sou até um pouco ranzinza, admito. Me recuso a comprar besteiras desnecessárias que logo irão parar no lixo ou que são apenas pedidos impulsivos. Porém, nunca recuso a compra de livros e mangás, que eles adoram e que é importante no incentivo a leitura.
As vezes os pedidos são completamente dispensáveis, mas aí eles me olham desse jeito aí de baixo e as vezes vão quebrando minhas resistências, como os passarinhos do Angry Birds...

Essa é a carinha de quando quer alguma coisa... De acordo com o grau do querer, aumentam os trejeitos e as mãos entrelaçam na altura do rosto, como uma prece... Também são acrescentadas musiquinhas e elogios à mim, sempre no diminutivo.
(com quem eles aprendem essas coisas?)
Esse já é criado... sabe como pedir de mansinho... só na humildade... Esse sorriso significa " mamãe... você sabe né?" e vem sempre quando eu me faço de louca pra passar bem. Seu forte é o apelo emocional de forma subliminar, ele é mestre neste quisito.

Essa é a cara de impaciência, quando eu finjo que não tô ligada no que ele quer me mostrar comprar . Como dá pra notar ao fundo, estamos numa livraria, passeio rotineiro aqui do povo de casa. Nesse caso, ele sempre leva, mas só se não me torrar os ouvidos...  
 
E essa é a mais pura cara de pau. Aparece sempre depois que eu delato em viva voz os planos mirabolantes dele pra tentar me convencer. Geralmente ele fica sem graça; encabulado, ri muito e acaba pedindo desculpas sem as vezes precisar... E é aí que ele me ganha... 


Miss Yang se diverte com a capacidade de superação na arte de seduzir e convencer os pais às compras das crianças de hoje. O divertimento é maior ainda por que eles pensam que nos enganam...

30/03/2011

E a vida segue: aberta a temporada de aniversários aqui em casa

Sábado foi níver da yuyu. Por conta de tudo que acontece nesse arquipélago, não me sinto a vontade de fazer grandes comemorações.  Mas ela é criança, fez 7 anos, entende o por que de não ter festa, mas não abre mão do presente. Justo, afinal de contas, no micromundo dela, não existem tragédias.

O Lo foi acampar com o grupo de escoteiro e não pôde participar da festa particular da irmã,  que teve cakes gostosinhos e o tão falado  chandelier do quarto (comprado antes da tragédia e devidamente escondido) que lhe causava insônia de tanto querer. Ela amou, eu fiquei aliviada e surpresa com a maturidade da minha caçula e felicidade dela com tão pouco. Me sinto com a sensação de dever cumprido, ao menos no que se refere no repasse de valores. É bom saber que nossos filhos entendem quando se diz "não" e o por que do não.   Abaixo, fotenhos da house party:


Essa caixa fowfa é a uma das embalagens da patissérie. Carinho e delicadeza com o cliente, marca registrada do Japão.


Yuyu era só sorrisos por ter ganho seu chandelier (lustre estilo de princesa).  Fico devendo a foto...

Doces para comer com todos os sentidos apurados. Impossível não praticar nenhum pecado capital...



 filho disse: "Não  precisa ter festa, mas uma fotinho só  mamãe!"
- Ok, vc venceu... mas só uma!!

 E hoje, é meu aniversário. 
 Por motivos óbvios, não quero festa nem presente, doarei o valor de um bom presente para as vítimas. Isso me faz sentir menos culpada por estar vivendo sem muitas privações, além de me parecer o mais correto a ser feito.
Apesar da calma aparente, de minha região não ter tido muitas alterações na rotina e do abastecimento nos supermercados estar voltando ao normal, a ferida viva ainda hemorrágica do nordeste está lá, todas as manhãs no noticiário, para nos lembrar que ainda não acabou.
E enquanto não acabar, acho sensato economizar em supérfluos, economizar em grandes comemorações e tal. Não que a vida tenha que parar por que muitos sofrem, não é isso; mas pelo menos ter o bom senso de que as coisas mudaram e  que AINDA tem gente com fome, sede, frio e sofrendo pelos que sumiram.
Pensem o que quiserem de mim, mas eu simplesmente não consigo viver numa boa e ignorar este fato.

10/12/2010

Pra que Serve um Blog?

Tenho certeza que cada um tem uma resposta para esta pergunta.
Pra mim, no momento, ele tá servindo como álbum de recordações, pois o que mais tenho feito é visitar post passados.
Parece piração, mas é um passatempo ótimo! Ficar relendo coisas que nos ativam a memória e que talvez nem fossem lembradas se não tivessem sido registradas aqui. Isso é um exercício preventivo ao Alzeimer.

Muitos já me largaram de mão pela inconstância de post e raras visitas aos blogs alheios, outros já perceberam que sou assim mesma e que não é destrato ou desleixo e me aceitam como sou, sem cobranças ou abandonos definitivos.
Ao primeiro grupo peço perdão, não me enquadro nas regras (nem por decreto, taopouco por pressão). Só escrevo quando realmente to muuuuito afim. E se isso incomoda, não me xinguem, existem milhões de blogs na blogosfera doidinhos para serem lidos e colecionar seguidores.

Ao segundo grupo além do perdão, meu muito obrigado!! Isso prova que ainda existem pessoas nesse mundo doido que respeitam o tempo, a vontade, a esquisitice e todos os outros adjetivos possíveis dos outros (no caso, eu).

Não estou ofendendo ninguém ok? Apenas dizendo o que penso no meu blog. Pois afinal de contas, quando o criei  foi na humildade, apenas pra despejar milhares de pensamentos em formas de letrinhas que rolam direto na cachola e depois, com o passar do tempo, reler as mesmas (como tenho feito agora).

O fato dele ter crescido, de ter até seguidores, de ter sido citado em blogs famosos, de ter ganho prêmio na blogosfera e ter sido inspiração para post primorosos de outros blogs foi algo completamente despretencioso e até me causou espanto. Afinal, quem não se envaidece com uma cria que faz sucesso?

Mas como disse, não tenho pretenção de ser grande, famosa ou hit de sucesso. Sou meio arredia aos tais politicamente corretos em algumas situações distintas e volta e meia entro em ostracismo cibernético.

Dito isto, apenas quero deixar claro que no alto dos meus 38 anos não vou mudar nesses pontos, sou capaz até de piorar...

 Mas.... Se tu gosta de alguns dos meus textos, das minhas linhas tortas e muitas vezes humoradas para descrever minha vida, da acidez dos meus comentários e de minhas inúmeras auto-críticas recheadas de sarcasmo... Te convido a ler o passado como eu to fazendo e de vez em quando, a atualidade dos meus pensamentos.
Sempre que possível, que fique claro.
Abraço a todos, e desculpe a franqueza.. é meu desvio de caráter...

24/06/2010

A Força da Amizade

Sim, pra quem achou pelo post abaixo que estou meio cinza, acertou em cheio!
E só voltei pra postar de novo por que tive o inside da expressão certa do que ocorre aqui ao escrever pra minha amiga Flávia, no seu post sobre amizade no Japão.

como ela mesma diz e eu assino em baixo, as amizades daqui são completamente diferentes das amizades do Brasil, mesmo sendo todos da mesma nação.

E minha definição brilhante para isso é que aqui existe uma Bolsa de Valores de Amizade.
Os amigos flutuam conforme a variação do momento. Tu tens mais ou menos amigos de acordo com a cotação do interesse próprio.

Infelizmente é uma verdade testada e confirmada ao longo de 8 anos de Japão.

Não digo todos, pois como na bolsa de valores, também existem papéis sólidos e estáveis, embora raros.
Ainda tem uma minoria que se salva e eu mesma fiz amigos aqui que serão pra vida inteira e que mantenho contato; como a Erika e o Piero, que infelizmente já foram embora daqui. Mas que nos falamos por telefone, pois preciso manter minha sanidade.

Aqui vale mais quem faz mais churrascos, promove bebedeiras e faz rodadas de truco ou canastra. Tem mais seguidores e companheiros fiéis quem além dos predicados acima, também domine assuntos superficiais (pois a semana já é dura, pra que falar de coisas difíceis), domine futebol ou saiba tudo sobre celebridades, cosméticos e novas lojas (afinal de contas, isso sim é interessante).

E isso nos deixa vazios. E sem querer nos isola cada vez mais.
Mas como Deus é muito bom, sempre coloca uma ou duas pessoas com quem se possa ter um bom papo pra nos salvar desse mundo de futilidade e inexpressão em que vive a maioria de nossos cumpadres de terra pátria.
No nosso caso, começamos a nos reunir aos sábados com dois casais com pensamentos parecidos com os nossos e que se pode manter um diálogo frutífero.

Não me julguem pretenciosa ou até mesmo arrogante por meu desabafo, longe de mim!
Sou apenas uma pessoa que gostaria de manter aqui no Japão pelo menos um pouquinho da troca que uma amizade sadia e sincera oferece.

não acho querer demais poder ter um amigo ou amiga com quem se possa dividir assuntos mais consistentes como política e religião, filosofia e ecologia e outros mais amenos como cinema, decoração, fotografia ou curiosidades. Na verdade, o assunto não importa, mas a maneira como ele é abordado é que me interessa.

queria ter de volta amigos como os que eu citei acima, que me deixaram órfã de um bom papo, daqueles em que as horas passam tão depressa que quando nos damos conta, a madrugada já entrou, o dia já passou, e uma infinidade de informações interessantes foram trocadas e nos satisfizeram como ser humano, pessoa, amigo.

será que isso é pedir demais?

Cansei dos mesmos papos sobre futebol, dos mesmos papos sobre a blusa ou saia da moda, das mesmas fofocas e intrigas por trás e das caras de paisagem na frente.
Esse não é o meu mundo. Nunca foi. E me recuso a fazer parte disso.

Mesmo que pra isso pague o caro preço da solidão de amigos. que seja taxada de culta demais e que pra falar comigo e preciso um dicionário do lado (pasmem, já me disseram isso. E meu único pecado é falar o português corretamente. me desculpem por ter estudado...)

Existe um ditado no Brasil que diz: " Sou brasileiro e não desisto nunca!"
e existe um ditado no Rio Grande, minha terra que diz: " Não tá morto quem peleia!" ,
e é assim que eu vou seguindo em frente.

Confusões Isoladas

Trabalhar em casa tem suas vantagens.
Talvez a melhor delas é poder ficar sozinha o dia inteiro sem aporrinhação de chefe e de colegas azedos.

De acidez e azedume, prefiro o meu que já me é familiar e que até consigo administrar em doses homeopáticas.

Mas todo esse silêncio tem um efeito colateral: congestionamento de pensamentos e tráfego pesado de listas infinitas de tudo que me rodeia, perturba, atiça.
Como estou no meu momento de reflexão estendida; pra não dizer inércia mesmo,
pego todos eles, mastigo e engulo,
lentamente
pra ajudar na digestão

ainda não descobri nada melhor pra lidar com coisas que não consigo resolver em meus momentos de prostração.

12/11/2009

Oompa Loompas, cade meu bilhete dourado???

Fui uma criança muito criativa e com imaginação pra lá de fértil. Confesso que não mudei muito ao longo dos anos, mas isso é uma outra história.
Um dos filmes que marcou minha infância foi sem dúvida A Fantástica Fábrica de Chocolates, e por mais que não pareça, sou do tempo em que Willy Wonka era Gene Wilder, o mesmo que anos mais tarde se seduziu pela Dama de Vermelho.

Eu era fascinada por esse filme. Vi e revi várias vezes pela televisão. Sim, por que naquela época não existiam video cassetes, e as reprises eram feitas exaustivamente pela Sessão da Tarde na Rede Globo de TV. E eu, logicamente vi todas.

Duvido que alguém da minha geração nunca tenha desejado comer um chocolate Wonka e encontrar nele um bilhete dourado, tão pouco acredito numa só criança que não sonhou com aquela fábrica de sonhos adocicados.
Eu por exemplo, sonhei várias que estava nadando na piscina de chocolate.

Os anos passam, os sonhos mudam, as memórias afetivas vão para o fichário da vida e um belo dia, quando menos esperamos, elas reaparecem num passe de mágica diante dos olhos e com a emoção e expectativa redobradas pelo reencontro.

Foi o que senti neste fim de semana numa loja cheia de coisinhas legais que fui num bairro vizinho ao meu.
Eu não tinha visto, pois estava num frenesi danado com tantas coisas fowfas piscando pra mim quando o lado zen, sempre atento e conhecedor de meus gostos mais secretos, me chama para mostrar uma caixinha de papelão com algumas barras do maravilhoso e eternamente desejado chocolate Wonka.

Meus olhos brilhavam como os de uma criança diante seu brinquedo favorito, tive um pire-paque e sem perceber sacudia as mãos e falava sem parar
" Wonka!!! Eu quero! Eu quero! Deixa! Posso! Por Favor! "
como se tivesse 7 anos de idade e falasse com meu pai para me dar algo que naquele momento, era objeto de primeira necessidade para mim.

Óbvio que fui motivo de risada da family ( meus filhos até já acostumaram com a mãe que tem e disseram: "Papai, compra senão a mamãe vai ter um ataque..." Juro, fingi que não era comigo...)
Mas pensa bem, quantos da minha geração não queriam estar lá no meu lugar realizando esse sonho?
Isso foi no domingo, e apesar dos pedidos insistentes das crianças, ainda não tive coragem de abrir e não sei bem o por quê; pois mesmo sabendo aonde tem e que não é o único, fico com medo de perder meu sonho e não encontrá-lo mais.

Sei que é meio louco isso e que sou uma idiota ao revelar, mas é verdade, fazer o quê.
Mas já sei que o bilhete premiado não está dentro dele, pois na frente da embalagem tem um círculo dourado falando da promoção para ganhar o bilhete.

É fato que muitas pessoas estabelecem uma relação afetiva com um determinado produto, como aconteceu comigo e meu chocolate, mas isso não justifica minha neura em não consumi-lo.

Prometi à eles que abriria depois de tirar uma foto e depois de 4 dias enrolando, não tenho mais como fugir desses predadores infantis que não entendem meu drama e não se compadecem de meu sofrimento.
Acho que de hoje não passa.
O que me conforta é saber que tem mais e que posso adquiri-las.

E mesmo sabendo que o bilhete dourado não estará lá, a expectativa ao abrir uma barra, a sensação gostosa causada pela ansiedade carregada de lembranças infantis sempre estarão presentes, pelo menos enquanto o chocolate derreter em minha boca.


Miss Yang nesse momento lembra desse poema:
"Oh! que saudades que tenho . Da aurora da minha vida, Da minha infância querida. Que os anos não trazem mais!" e se sente abdusida por Casimiro de Abreu.

19/07/2009

Gosto cada um tem o seu

Verão no Japão é a época de algumas especiarias gastronômicas ficarem em evidência.

Enquanto os japa se embolam e atolam na areia da praia pra pegar mariscos e comer com verduras,
os china se penduram nas árvores pra catar cigarras e depois comê-las fritas (!!!!)
E nós brasi, seres com gostos esquisitos, vamos no mercado brasileiro comprar carne pra fazer churrasco.
E viva a diversidade.

16/07/2009

Prazer em Conhecê-los!

Filhos espalhados pelo mundo afora, leiam com atenção:

A melhor fase entre os filhos e os pais é quando os filhos se tornam pais e os pais se tornam pessoas iguais a nós. Incontestavelmente.
Afirmo com toda a certeza, hoje sou muito mais amiga e participativa na vida de meus pais do que quando eu era apenas filha.
Não sei dizer em qual momento isso acontece, mas a responsabilidade de nos educar, a sensação de não poder errar, saem para dar lugar a outro tipo de sentimento mais leve, sem o fardo e pressão de não errar.
Nunca conversei tanto com minha mãe como agora que moro do outro lado do mundo.
Hoje, dou mais conselhos ao meu pai do que ele me dá.
Nunca soube tanto deles como sei hoje, mesmo vivendo uma vida inteira ao lado deles.
São outros tempos. Tempos de muita conversa, muita risada, de confidências e de respeito na opinião e desejos, tanto meus como deles.
Filhos espalhados por aí; longe ou perto dos pais, olhem para eles de forma diferente! Procurem quebrar as muralhas do conservadorismo arraigado na instituição familiar e vejam-os apenas como pessoas. Maravilhosas pessoas cheias de histórias pra contar, conselhos recheados de zelo para oferecer e muita bagagem de vida para compartilhar conosco o que fazer ou o que não repetir.
Não esqueçam que nunca somos tão diferente deles quando viramos pais. Isso por que eles são a referência mais próxima de como ser pai que possuímos. Nem sempre boa, é claro. Mas o suficientemente rica para nos dar a opção de escolha entre o erro que não queremos cometer ou o exemplo a ser seguido.
Façam isso enquanto há tempo. Nunca é tarde para conhecer pessoas interessantes.
Principalmente quando elas estiveram ali o tempo todo, sem serem vistas como realmente são, atrás da pesada alcunha de pai e mãe.

10/07/2009

Não sou um caso isolado no mundo

Peguei essa imagem no blog da Soninha e agora tenho certeza de que posso dormir tranquilamente de noite, pois não sou uma aberração.

Amei!!!!

Não cheguei a usar um martelo, mas confesso que já atirei um cubo mágico nas profundezas dos inferno. Lado zen, pra variar, sempre ri da minha cara quando tenho essas manifestações incontidas. Imagina se ele já não montou essa merda direitinho várias vezes???

Miss Yang tem um pavio que entra em contagem regressiva e incendeia depois de alguns (poucos) minutos de inúteis tentativas de sucesso ou repetidas situações de fracasso.

09/07/2009

Quem quer me estudar?

Sempre me achei com tendência compulsiva. Hoje tive certeza. Quando gosto de algo, não basta ter um, tem que ser mais.
Isso vale para quase tudo, exemplos:
- roupa (mesmo modelo, várias cores);
- objetos (sempre compro 3, ainda não descobri por que);
- cachorros (tenho 2 por que fui prontamente notificada para parar, senão vou ser doada pra carrocinha)
- fora os ítens óculos, sapatos, bolsas e relógios (que já perdi até a contabilidade).
Não me tirem pra fútil, realmente não é isso. Levei muitos anos pra descobrir minha compulsão para ser taxada por um adjetivo pejorativo, please.
Buenas...
Já faz um ano que tenho notebook e nunca ultrapassei 1/10 da memória dele.
Até hoje.
Começou quando resolvi procurar torrents de todas as temporadas do Cold Case , por que assisti dois episódios e amei. Obviamente não me contentei em assistir um por um, tinha que ter todas as temporadas, mesmo que para assistir tenha que ser uma a uma...
Daí que uma coisa leva a outra e já procurei as temporadas de Closer, que me apaixonei quando estive no Brasil. Detalhe, menos de 10 minutos, já tinha baixado 3 temporadas do Cold e já tava intupindo o uTorrent com mais essas...
Como tava baixando rapinhim, resolvi baixar as 2 primeiras temporadas do CSI... a essa altura, só internando a criatura e dando altas doses de diazepan pra ver se sossega os dedos e para de procurar seriados...
Então que fui ver e já to com quase 74 GB só de seriado!!!
Lado zen sugeriu que eu assista e delete os já vistos, assim posso baixar os outros; mas alguém aí já viu uma compulsiva com leve síndrome de posse por aquilo que adquire se livrar de algo?
Ó céus, como eu sofro...
Melhor eu passar pra dvd mesmo ou comprar um pendrive de 1000 gigas.
Se algum psiquiatra estiver lendo isso, estou me disponibilizando para estudo de caso.

07/07/2009

O Dono da Cozinha

Abri a gaveta do armário para pegar qualquer coisa e achei um caderno recheado de receitas e outras tantas anotadas de forma rápida em papéis soltos.
Daí me veio a eterna pergunta em mente:

- Prá que guardar tantas receitas se eu sou quase uma bactéria na cozinha?

Sinceramente, minha alma gorda gosta de comer bem, mas meu cérebro não foi programado para atender a essas necessidades no estilo Do It Yourself. Habilidades culinarísticas definitivamente não fazem parte de mim.

Como Deus sabe o que faz, e prevendo que eu poderia morrer de inanição caso não me tornasse rica o suficiente para comer fora todos os dias ou ter uma excelente cozinheira, me contemplou com um marido prendado na cozinha e que gosta de se inveredar entre temperos e aromas. Então, o caderno de receita tem um novo dono, o lado zen.


Miss Yang faz trivial do trivial quando realmente não tem escapatória. Não que não saiba cozinhar, até faz 1 ou 2 pratos. Mas não gosta. Aliás, odeia. Sem traumas. Ponto.

05/11/2008

Das Comidas Dessa Terra - Obentô (marmita, para os íntimos...)

O que no Brasil é coisa de pobre, no Japão faz parte da cultura. O hábito da marmita (aqui chamada de obentô) é adquirido já no jardim de infância e acompanha o vivente até até fim da vida.

Aqui, um obentô não é somente aquele lanchinho que vai acalmar as lombriga na hora do almoço; ele significa amor, apego e dedicação de mães caprichosas (quando os apreciadores são crianças em fase escolar ) que seguem a lei das cinco cores (vermelho, amarelo, verde, preto e marrom) para preparar o obentô de seus filhos, dividindo os alimentos em cinco grupos por proximidade de cor. Isso permite compor uma refeição mais vistosa, além de proporcionar um balanço nutricional.

Além de alimentar, divertem e ficam parecidos com obras de arte ou desenhos animados, de tão bonitos e coloridos. Na escola, em dias de passeio, a criançada leva obentô (dias normais têm alimentação balanceada fornecida pela escola) e a disputa para ver quem traz o mais bonito é tradicional.


Algumas crianças, principalmente as estrangeiras, ficam chateadas por que suas mães não fazem (ou por que não entendem o que isso significa ou por que não tem tempo) um obentô biito pras cria ficar feliz e se sentir importante.


Minha prole não tem do quê reclamar... Como eles têm uma mãe seqüelada que parece que não teve infância (e olha que a minha foi boa!) e pensa que nem japa (isso quando se trata de ser lóide), eles sempre levam bentozinhos decorados e caprichados, pra ficar contente e se sentir integrado com os coleguinhas. E é bem legal, já recebi elogio de profes e de mães pelos obentôs que fiz.

Olha a minha bizuguinha goly goly detonando o bentozinho, já quase sem nada!

Essa é a seção de bentobako (marmitex) e acessórios, existente em qualquer loja japa.

Os adultos também são adeptos, e a maioria compra pronto nas lojas de conveniência por ser mais rápido e prático. (Fazer obentô exige tempo e dedicação) Abaixo, uma mostra do obentô de adulto.


É gentem, o negócio é sério! Japoneiz é mais seqüelado do que eu...

17/10/2008

A Arte de Ver a Lua e Comer o Coelho

(Era só pra ter a lua como ilustração desse post, mas esses fiadaputya desses gatos tão me perseguindo até na lua!!! cadê o baigon?)

Uma das coisas que mais me encantaram aqui no Japão é ver como esse país é sazonal; como cada estação do ano é bem definida e como tudo muda em cada uma delas.

Por ser um outro mundo, por ter uma cultura milenar e tralálá com bolinhas vermelhas, é muito forte a influência da natureza e tudo que vem dela na vida dos japoneses. Agora que estamos no outono e as primeiras folhas vermelhas começam a apontar nas árvores, entramos na época da colheita do arroz, muito importante para os japoneses, por ser considerado o principal alimento desse povo.

Nessa época, os japongas (e até que não tem os zóinho puxado) gostam de apreciar a lua por ela se tornar maior e mais brilhante (ontem por sinal estava linda!!!!) Esse ritual é chamado de Tsukimi, que significa ver/observar a lua.

Como japa adora uma macumba, digo uma oferenda à seus deuses, também é época de ofertar flores, dango (bolinho japonês) e outras iguarias, pedindo uma colheita farta.

No Brasil, a quem diga que na lua cheia se vê São Jorge lutando contra um dragão, aqui quem mora lá é um coelho fazendo moti (bolinho de arroz). Coisa muito meiga.

E quando a lua está cheia, linda, grande e brilhosa, quem quiser achá-lo basta admirá-la com uma boa dose de criatividade e muita disposição no coração ( um litro de canha na cachola também ajuda) que certamente verá o bichinho (confesso que ontem eu até tentei ver o orelhudo (sem pinga), mas ele foi dá uma banda e deixou só um cartaz: Te Vejo na Páscoa! (...))

Palhaçada à parte, o melhor mirante pra ver (e comer) o coelho é o Mc Donald's; que nessa época do ano tem como atração o Tsukimi Baga (que consiste num maravilhoso hamburguer com ovo, queijo, molho rosé, baicon e pão com gergelim é claro) que desculpem a redundância, mas é algo di-vi-no, ou melhor dyou -tro mundo (entendeu o trocadilho? pois é, não resisti...) Para pessoas como eu se fartarem e ficarem redondas como a lua.
...

E dê-lhe caminhada, acadimia, bicicleta e escadas depois de comer tudo isso...

04/10/2008

Faça Sua História

Esta semana fiquei um pouco afastada do blog, aproveitei pra fazer as mudanças que cada estação exige, sem ranço ou bronca, na boa, tranquilaça; pois ao contrário da crise mundial e da situação da economia japonesa, estou que nem a Xuxa, "de bem com a vida e de feliz pra burro".

Eu diria até que é possível ser feliz e estar na paz em situações onde temos que andar na contra-mão com o piloto automático ligado, por que paz de espírito e alegria de viver não se compram em magazines e muito menos se saca no caixa eletrônico.

Aproveitei pra arrumar a casa de um jeito diferente, e quando a chuva parou, abri todas as janelas para o vento circular e mudar todo o ar, tirei cobertores e roupas mais quentes de dentro dos roupeiros, lavei para tê-los limpinhos, cheirosos e macios, prontos para enfrentar dias mais frios, e metaforicamente, foi como se estivesse lavando a alma e arrumado as gavetas interiores. Sei lá, mas me deu essa sensação.

E hoje (sábado) pra endossar toda esse clima love's in the air aqui de casa, no final da manhã, quando o lado zen voltou do jogo de tênis com a Yuyu (que foi a tira-colo) trouxeram pra mim um lindo ramo de mini rosas "pra me deixar feliz" como disse minha fofolete.

Não é liiiindo!! Precisa mais dique meu amigo? Nada não, obrigada, tá bom assim, a pele também tá ótema... Preocupação agora só com o hoje, amanhã é só amanhã. Apesar da frase direta e fácil, nem sempre é fácil vivenciá-la.

Vou tentar ser sempre assim; "esquecer" o amanhã e me preocupar (só) em viver bem o"hoje". Tô achando que grande parte das minhas aflições eram por conta disso. Serei menos confusa, e vou deixar a vida me levar, pra onde ela quiser.

22/09/2008

Mercado de Pulgas

Apesar ter ido dormir às 5 da manhã no sábado (desda vez não foi insônia, tivemos visitas e ficamos de papo até 4:30), algo me tirou da cama 9:10 com muita disposição - era dia do flea market da escola (uebaaaaa!!). Me vesti rapidinho e fui ansiosa pelas possíveis comprinhas interessantes que eu poderia fazer (sim!! Adorooo bazares, briques e afins!)

Quem mora no exterior tem o privilégio de se despir de algumas hipocrisias humanas muito fortes nos países pobres e se jogar sem medo de ser tachado ironicamente de pobre, brega, muquirana e outros adjetivos nos famosos flea markets (mercado de pulgas) existentes em todos os países de 1º mundo.

Talvez por seus séculos à frente e pelas inúmeras guerras e crises vividas, qualquer país desenvolvido tem inserido de forma natural no seu cotidiano essas feirinhas, que podem ser tanto ao ar livre quanto em ginásios, onde toda a sorte de objetos são vendidos por seus donos por preços simbólicos e tudo muito bem organizado. É a reciclagem daquilo que não nos serve mais e ocupa espaço para alguém que procura exatamente o que dispensamos por um precinho camarada.

Como nasci em Porto Alegre (cidade com forte influência européia), já estava habituada de certa forma com essa cultura, pois lá existe o brique da Redenção, um mercado de pulgas tradicional realizado todo o domingo no Parque Farroupilha (ou Redenção, como preferir). Apesar da referência, nada se pode comparar e são parecidos apenas na essência.

Aqui no Japão, essas "feiras de reciclagem" e bazares escolares são ultra populares, e muita gente (inclusive eu) aguarda com ansiedade os mais famosos da cidade para se jogar com tudo nas "oportunidades imperdíveis". Como os garage sale dos EUA, nossas feirinhas vendem de tudo; dos botões de roupa aos eletrodomésticos, de brinquedos a óculos de sol, de bijouterias a coleções de qualquer coisa, uma verdadeira miscelânea colorida que enche os olhos e deixa o povo louquinho.


Como disse no início desse post, domingo fui no waku waku bazar, da escola do Lo. Cheguei depois de 40 minutos do início, e apesar da maoria das coisas boas já terem sido vendidas, (foram feitos sacolinhas com vários ítens dentro e o valor era estipulado entre 100, 200, 300, 500 ou 800 ienes, que eram os mais caros... uma verdadeira pechincha!!) consegui algumas pérolas, como uma bota de couro legítimo liiiiinda usada 2 vezes, tinha até o adesivo embaixo do solado por 300 ienes (menos de 6 reais) e um anél banhado a ouro da Minie, novinho, comprado na Disneyland que caiu perfeitamente no dedo da Yuyu por 100 (1,80 reais) mais algumas coisinhas (todas novas) compradas mais barato que nas lojas.

Minhas comprinhas

Enfim, não levei nem 1 hora e já estava em casa com meus tesouros em mãos e toda feliz. É uma pena que no Brasil esse hábito não seja difundido, é tão bom comprar coisas novas ou semi novas com preços simbólicos, fora que é ótimo se desfazer de toda a tralha que ocupa espaço e junta poeira nos armários. Pensem nisso, quem sabe daqui nasce uma idéia né? Quem sabe...

19/09/2008

A Difícil Arte do Convívio

Por que será que justo no dia em que se tem uma pá de coisas pra fazer na rua o clima é sempre de extremos? Ou é um sol que racha o coquinho ou uma chuva torrencial como a de hoje (e, claro, BEM na hora que eu saí de casa).

Como saímos da escola com fome, fui com a Yuyu afogar as lombrigas num restaurante popular italiano bem perto de casa, aonde a gente se jogou sem culpa numa carbonara.
Tudo muito bom, tudo muito bem, até perceber que na mesa atrás de mim haviam dois homens brasileiros conversando. Pelo estilo, de cara identifiquei que um deles era pastor (isso mesmo, as igrejas de Edir Macedo e similares pipocam aqui num crescimento apavorante) o que confirmei no estacionamento pelo adesivo "Missão Assembléia de Deus no Japão" colocado no carro.

Como o sofá é daqueles em que o encosto é grudado no encosto do sofá da outra mesa, minhas costas ficaram a menos de meio metro das costas do pastor, e pude ouvir toda a conversa (não que eu quizesse realmente) dos dois.

Primeiro o pastor falou, falou, falou, que eu já tava com vontade de ir embora, imagina a criatura na frente dele. Depois o outro cara, que aparentava uns 25 anos, argumentou.
Pude perceber que o motivo do aconselhamento era conjugal, e dentre tantas coisas ditas, ficou muito claro que o casamento do moço estava a banca rota pela seguinte frase dele:

- Eu to fazendo hora extra ela pensa que to na gandaia, eu to em casa e a gente não troca nem um oi, quem dirá carinho....

É incrível o número absurdo de pessoas que se separam no Japão. Quando eu cheguei aqui, no primeiro dia conhecemos uma família que nos mostrou tudo que precisávamos saber para não nos perdermos ou termos uma crise (histérica) de identidade. Dentre essas coisas, duas chamaram a atenção: Uma, era sobre os terremotos e a outra era sobre manter o casamento.
E isso faz 6 anos. E os mesmos conselhos são repassados até hoje.

A vida aqui é massante e os raros momentos de lazer, tirando parques públicos, custam caro. Fora isso, muitos se deslumbram com o dinheiro fácil e com facilidades como poder comprar um carro usado com apenas um mês de salário. Alguns sofrem com a alternância dos turnos de trabalho do tipo, enquanto o marido tá dormindo a mulher tá trabalhando e vice versa.
Outros se perdem no vício das famijeradas caça níqueis, amplamente difundidas aqui e chamadas de pachinko, e nessa acabam perdendo a família, o emprego e a dignidade. Outra coisa também que chama muito a atenção por aqui é o aumento do individualismo, que na maioria das vezes é o criador do abismo conjugal.

Juntando tudo isso e mais um monte de outras coisas, os casamentos aqui se fragilizam, e muitos, não agüentam a esse turbilhão e se destroem sem direito a recompor os cacos.
É triste, mas é real. Dificilmente se encontra um casal que nunca tenha tido uma crise braba em terras nipônicas.

A maneira com que o casal tratará essa crise é que definirá se o casamento moribundo tem salvação ou se vai a sete palmos nos próximos capítulos. Sabemos que é chover no molhado dizer que diálogo é fundamental para o bom entrosamento do casal, que só o amor contrói e que há de se ceder igualmente para que o convívio seje harmonioso e tralálá com bolinhas.
Mesmo assim, na hora da crise, ninguém lembra nada disso, e muitas vezes as mágoas acumuladas são tantas, que o orgulho impede qualquer possibilidade de acordo ou de trégua.

Conheço muitos que se perderam na estrada e resolveram seguir o rumo sozinhos ou com outro parceiro. Alguns vão embora pro Brasil, outros arranjam companhia e constituem novas famílias, torcendo para que essa dê certo e não bailem na curva novamente.

Admiro os que tentam. De novo, de novo e de novo. Lutam pelas mais diversas causas: ou por que acreditam no amor, ou por que não admitem o fracasso, ou pelos filhos pequenos...
Mas há os que insistem só por comodismo ou pelo eterno medo de ficar sozinho.

Cada um sabe o seu tempo, o seu sentimento e a sua urgência. Mas de vez em quando é bom olhar dentro de si para ver se o amor ainda vale a pena ou se tá na hora de ver outras paisagens, por que só o amor constrói, mas o Japão destrói; e nesse entrevero, dê-lhe trabalho para os pastores espalhados pelo arquipélago afora.

11/09/2008

Zoidinha é Fashion

Ela nasceu no mesmo ano que eu, 1972. Mas por seu design avançado demais (leia-se feia) para a época, a pobre não durou nem um ano nas prateleiras porque simplesmente assustava as criancinhas por seus olhos tão grandes (praticamente um lobo mau), cabelão (liiiiiiindo!!) e pernas de saracura do banhado.

Allison Kat, a designer-criadora da Blythe, enfiou a viola no saco junto com as bonecas cabeçudas e foi morar no alto das montanhas do Himalaia, para fugir da vergonha, fracasso e decepção de vendas (tá bom, não foi bem assim...)

Masssss, como todo o chinelinho véio no mundo tem um pé cansado, eis que um amigo maldoso, na intenção de sacanear, deu de presente uma dessas bonecas para a produtora de vídeo Gina Garan. Mal sabia ele que ela era outra louca de pedra, que além de amar o presente, saiu mundo a fora fotografando a zoiudinha.

Pronto. Em tempos de caiu na net é do povo, as fotos foram encontradas pelo povo mais sem noção do mundo: os japas, que amaram a kidult e a transformaram em obsessão e objeto de consumo. (isso por aqui É a terra dos kidult*)

Em 2002, Garan que não é boba e viu o nicho nipônico em expansão, lançou o livro This is Blythe, que virou o site oficial da boneca. Foi um sucesso e a marca de brinquedos japonesa Takara (menos boba ainda) resolveu relançar a Twiggy de plástico.

O lançamento foi um sucesso, principalmente por sua interatividade e maleabilidade de costumização de tudo ( cabelo, cor dos ohos, pele...) e o resultado disso foi uma legião de fãs da bonecuda mundo a fora que trocam imagens, fazem roupas, criam desfiles, concursos, costumizam as bonecas e tiram muitas, centenas de fotos em diversas situações da bonequinha mais hype e fotogênica do mercado. Por aqui, há vários livros ensinando a fazer roupas, penteados e tudo mais do mundo "Buraizu", como ela é chamada.

Eu já me peguei várias vezes namorando essas dolls nas lojas de brinquedos, pensando se compro ou não compro. Um dia me jogo e trago a sardenta pra casa. (Ai Jesuis! Acho que to sendo contaminada pelos kidults... help me!! Quem poderá me salvar? Não vale o Chapolin Colorado....)


* kidult é um termo onde as palvras kids+adult se fundem para designar pessoas adultas com gostos por objetos e brinquedos infantis. O Japão é campeão disparado nessa área, mas isso é outro post.

25/08/2008

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.

Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.

Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras, é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Não é sentir nem sentir contra... Nem sentir para... Nem sentir por... Nem sentir pelo... Afinidade é sentir com. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber...

É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram, foram apenas oportunidades dadas pela vida...
Artur da Távola

24/08/2008

O Calor de uma Geladeira

Isso mesmo, não digitei errado. Escreverei sobre a minha geladeira. Logo logo vocês irão entender...
A minha pelo menos não é apenas um eletro doméstico útil em minha cozinha, ela é o objeto mais multifacetado da casa.
Minha geladeira desenvolveu funções muito além de simplesmente conservar os alimentos, fabricar gelo e congelar carnes. Ela é meu HD anexo, meu IPhone imóvel onde penduro fotos, bilhetes de afezeres importantes, papéis de retorno ao médico, cronograma escolar e toda a sorte de coisas que não posso esquecer, já que mãe é a memória permante da família.
Outra função dela, pra mim a mais glamourosa e cheia de charme, é o papel que ela desempenha como galeria de arte de minhas crianças.
Cada desenho mais elaborado e inspirado que eles fazem e me dão de presente, vai para a galeria ficar em exposição por tempo indeterminado. Isso quando eles mesmos não vão até ela e penduram cheios de orgulho e satisfação suas obras, que irão alegrar e dar vida a cozinha, que ao meu ver é um lugar meio sem graça.
Muitas pessoas acham que geladeira deve ser clean, com um ou dois imãs de viagens feitas, alguns de restaurantes e só. Outros associam o eletro-doméstico a um medidor de status, como o carro. Ou seja, quanto mais chic e moderna a geladeira mais poder a dona de casa tem.
Definitivamente eu discordo. A minha tem que ter fotos (muitas), imãs (milhares) e outros pequenos objetos para torná-la "quente", para que tenha alma, identidade e se humanize, já que originalmente é um objeto tão grande e frio.
Casa tem que ter a cara dos donos, tem que ter jeito de casa e não de vitrine. Tem que ter uma certa bagunça organizada que acalore o ambiente, tem que ter elementos que demonstrem que ali tem vida, que tem história e nada melhor que uma geladeira pra isso.
A minha com certeza cumpre seu papel.
...

18/08/2008

Confusões

" Não sei se estou perto ou longe demais, se peguei o rumo certo ou errado.
Sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de forma diferente.
Já não caminho mais sozinha, levo comigo cada recordação, cada vivência, cada lição.
E, mesmo que tudo não ande da forma que eu gostaria, saber que já não sou mais a mesma de ontem me faz perceber que valeu tudo pena. "
...
...
Não sei quem escreveu estas palavras, mas ao lê-las em algum lugar da net me identifiquei na hora. É notório que a vida não é na maioria das vezes como a gente gostaria. Mas ficar chorando pelos cantos tendo pena de si mesmo não fará com que ela melhore. Ao contrário, trará mais problemas.
Problemas com a própria pessoa que entrará num estado de auto destruição imperceptível e problemas com quem a rodeia, pois certamente desconhece o sofrimento interno ou as razões para tal.
Então, como lidar com desejos e anseios impossíveis?
Não sei.
E até gostaria de saber, pois também tenho os meus como todo mundo.
Minha maneira de lidar com isso já foi mais eficaz. Meu instinto de auto preservação já me foi útil no passado.
Quando vejo que vou sofrer demais, me recluso e eremito num silêncio profundo, como se não existisse, na tentativa de minimizar a dor. Praticamente desapareço do mapa, ou melhor do alvo de meu sofrimento.
Pelo menos no passado, isso dava certo.
Hoje em dia, em tempos de "digitalização da vida" acho que não seja mais possível. Pelo menos em parte. Se bem que não verbalizo aqui nem um terço do que realmente sinto, o que é paradoxal, pois criei esse canto justamente pra estravazar o que me atormenta.
Me tornei refém do meu diário virtual.
Não posso falar demais por saber que é lido por outras pessoas, as quais na maioria nem conheço; ao mesmo tempo, não posso ficar sem falar, por que afinal de contas, esse é meu analista. Estou confusa, muito confusa com tudo isso.
(...)
Reticências... Só isso substitui o impublicável.