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02/09/2008
E...
...Falando no Joe, leiam essa crônica que me fará perder uma semana inteira de sono pensando por que não fui eu que a escrevi. Simplesmente tudo o que eu queria ter dito e não disse.
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cigarro
23/07/2008
Raio X da Abstinência
O tempo é um trem bala que segue seu percurso a 300 por hora sem parar nas estações. Estou na véspera de completar quatro meses sem fumar.
Honestamente, não sei se comemoro ou se choro...
Tenho alguns motivos para comemorar. Agora consigo subir escadas como uma pessoa normal, sem rastejar a partir do 10º degrau e sem morrer no último; meu rosto que antes era seco agora tem uma oleosidade equilibrada e me deixa com aparência mais viçosa; descobri que minhas unhas não são amareladas, aquele tom era proporcionado pela nicotina; minha filha fala que parei de fumar por que a amo (só isso compensa tudo que ainda não notei).
Mas tudo tem o outro lado, e o meu é negro como um blackout a meia noite. Sinto ainda o gosto ou às vezes a falta dele na boca, ainda salivo (não com tanta freqüência) ao ver amigos fumando descaradamente na minha frente, soltando aquela longa fumaça cinzenta como se estivessem me provocando, a espera de uma fragilidade minha e um pedido miserável por uma tragada.
É impressionante como o sadismo humano é mais forte do que valores mais nobres... Mas ainda (e espero que sempre) sou forte. Acho até que meu amor próprio e teimosia me ajudam mais do que a força nessas horas.
Não fiquei quatro meses lutando para caminhar sozinha à toa. Não é agora que vou jogar a toalha. (Será?) Digo isso por que nada é definitivo na vida, e tenho um antecedente de dois anos sem fumar antes da última recaída... Não!!!! Sai pra lá diabinho!!! Agora é pra valer! Já não sou mais uma adolescente que tem a sorte de poder se renovar rapidamente, sou uma balzaquiana em direção da idade da loba...(medooooo!!!!!) E isso significa que não tenho mais o mesmo metabolismo ultra-mega-super-power-rápido para regenerar meu corpinho das bobagens que faço.
Bom, de qualquer forma, saibam que parar de fumar não é fácil.
Aliás, não é NADA fácil, diria até QUASE IMPOSSÍVEL...
Por que? Pelo óbvio.
Como serei daqui pra frente tendo que me mostrar nua e crua sem minha máscara esfumacenta que protegia e disfarçava minha timidez (e por que não dizer meu verdadeiro pavor) ao encarar um grupo cuja maioria das pessoas me são completamente desconhecidas? Sem o cigarro que disfarçava a ansiedade, ela se manifesta numa compulsiva oratória desenfreada (odeio isso e me sinto uma matraca idiota).
Como lidar com meus momentos de solidão (que são muitos pode crer), tristeza, ostracismo sem o caninho de papel que me ajudava e que era fundamental na minha organização mental?
Não posso esquecer meus momentos de estress também, nesses eu praticamente comia o meu Valium de papel...
Como desvencilhar, resistir e conviver com a imagem indissolúvel da dobradinha cerveja + cigarro sem sucumbir, pois para mim é tão perfeito quanto Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Gordo e Magro...
Como conseguir provar aos outros que minha decisão é legítima e que qualquer manifestação de sabotagem aos meus propósitos vinda dos outros me faz travar uma verdadeira guerra civil nos territórios internos do meu corpo?
Essa é a verdade, em preto e branco dessa ex-fumante que vos fala... Não é fácil como possa parecer, não sou uma encarnação do Dalai Lama nem tão pouco tenho pré disposição ou tendência para o zen, mesmo morando no epicentro do xintoísmo e de todos os ismos que aparecerem.
Ainda tenho muitas fraquezas, fumar traz sofrimento, deixar de fumar mais ainda. Ontem mesmo quase sucumbi ao desejo de fumar (gente a culpa não é minha! É dos enésimos elementos químicos do cigarro que ainda habitam minhas entranhas...) mas voilé!!! Resisti.
E assim vou vivendo como uma rehab a la Amy Winehouse às avessas, dizendo No! No! No! só por hoje não vou fumar mas que Go! Go! Go! achar uma nova muleta (dessa vez saudável) para disfarçar minha timidez e inseguranças.
Honestamente, não sei se comemoro ou se choro...
Tenho alguns motivos para comemorar. Agora consigo subir escadas como uma pessoa normal, sem rastejar a partir do 10º degrau e sem morrer no último; meu rosto que antes era seco agora tem uma oleosidade equilibrada e me deixa com aparência mais viçosa; descobri que minhas unhas não são amareladas, aquele tom era proporcionado pela nicotina; minha filha fala que parei de fumar por que a amo (só isso compensa tudo que ainda não notei).
Mas tudo tem o outro lado, e o meu é negro como um blackout a meia noite. Sinto ainda o gosto ou às vezes a falta dele na boca, ainda salivo (não com tanta freqüência) ao ver amigos fumando descaradamente na minha frente, soltando aquela longa fumaça cinzenta como se estivessem me provocando, a espera de uma fragilidade minha e um pedido miserável por uma tragada.
É impressionante como o sadismo humano é mais forte do que valores mais nobres... Mas ainda (e espero que sempre) sou forte. Acho até que meu amor próprio e teimosia me ajudam mais do que a força nessas horas.
Não fiquei quatro meses lutando para caminhar sozinha à toa. Não é agora que vou jogar a toalha. (Será?) Digo isso por que nada é definitivo na vida, e tenho um antecedente de dois anos sem fumar antes da última recaída... Não!!!! Sai pra lá diabinho!!! Agora é pra valer! Já não sou mais uma adolescente que tem a sorte de poder se renovar rapidamente, sou uma balzaquiana em direção da idade da loba...(medooooo!!!!!) E isso significa que não tenho mais o mesmo metabolismo ultra-mega-super-power-rápido para regenerar meu corpinho das bobagens que faço.
Bom, de qualquer forma, saibam que parar de fumar não é fácil.
Aliás, não é NADA fácil, diria até QUASE IMPOSSÍVEL...
Por que? Pelo óbvio.
Como serei daqui pra frente tendo que me mostrar nua e crua sem minha máscara esfumacenta que protegia e disfarçava minha timidez (e por que não dizer meu verdadeiro pavor) ao encarar um grupo cuja maioria das pessoas me são completamente desconhecidas? Sem o cigarro que disfarçava a ansiedade, ela se manifesta numa compulsiva oratória desenfreada (odeio isso e me sinto uma matraca idiota).
Como lidar com meus momentos de solidão (que são muitos pode crer), tristeza, ostracismo sem o caninho de papel que me ajudava e que era fundamental na minha organização mental?
Não posso esquecer meus momentos de estress também, nesses eu praticamente comia o meu Valium de papel...
Como desvencilhar, resistir e conviver com a imagem indissolúvel da dobradinha cerveja + cigarro sem sucumbir, pois para mim é tão perfeito quanto Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Gordo e Magro...
Como conseguir provar aos outros que minha decisão é legítima e que qualquer manifestação de sabotagem aos meus propósitos vinda dos outros me faz travar uma verdadeira guerra civil nos territórios internos do meu corpo?
Essa é a verdade, em preto e branco dessa ex-fumante que vos fala... Não é fácil como possa parecer, não sou uma encarnação do Dalai Lama nem tão pouco tenho pré disposição ou tendência para o zen, mesmo morando no epicentro do xintoísmo e de todos os ismos que aparecerem.
Ainda tenho muitas fraquezas, fumar traz sofrimento, deixar de fumar mais ainda. Ontem mesmo quase sucumbi ao desejo de fumar (gente a culpa não é minha! É dos enésimos elementos químicos do cigarro que ainda habitam minhas entranhas...) mas voilé!!! Resisti.
E assim vou vivendo como uma rehab a la Amy Winehouse às avessas, dizendo No! No! No! só por hoje não vou fumar mas que Go! Go! Go! achar uma nova muleta (dessa vez saudável) para disfarçar minha timidez e inseguranças.
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comportamento
17/04/2008
Fora do Ar
Hoje amanheceu chovendo. Dias assim me deixam melancólica.
Como se não bastasse, algumas coisas dando errado e outras caminhando para dar errado. Murphy está de férias na minha vida.
Além de tudo isso, com quase um mês resistindo bravamente ao tabaco, hoje estou com uma vontade terrível e irracional de dar uma tragada. Claro que não o farei, senão já era. Conheço-me bem e sei das armadilhas que meu Id me submete para tentar suplantar meu Superego.
Mas não vou sucumbir!! Vou me manter forte e decidida. Apesar dos kilinhos a mais que isso está me custando...
Mas isso não é o pior dos meus males. A outros que estão me remetendo novamente ao meu tão familiar e acolhedor casulo.
Sim, estou novamente entrando em ostracismo. Isso tem ficado meio que em evidência aqui, pela (in)quantidade de post que tenho publicado. Não me levem a mal, mas minha concha me chama e não estou conseguindo fugir de seu chamado.
Não garanto produtividade, mas de quando em vez estarei escrevendo minhas insanidades por aqui. Hasta luego...
Como se não bastasse, algumas coisas dando errado e outras caminhando para dar errado. Murphy está de férias na minha vida.
Além de tudo isso, com quase um mês resistindo bravamente ao tabaco, hoje estou com uma vontade terrível e irracional de dar uma tragada. Claro que não o farei, senão já era. Conheço-me bem e sei das armadilhas que meu Id me submete para tentar suplantar meu Superego.
Mas não vou sucumbir!! Vou me manter forte e decidida. Apesar dos kilinhos a mais que isso está me custando...
Mas isso não é o pior dos meus males. A outros que estão me remetendo novamente ao meu tão familiar e acolhedor casulo.
Sim, estou novamente entrando em ostracismo. Isso tem ficado meio que em evidência aqui, pela (in)quantidade de post que tenho publicado. Não me levem a mal, mas minha concha me chama e não estou conseguindo fugir de seu chamado.
Não garanto produtividade, mas de quando em vez estarei escrevendo minhas insanidades por aqui. Hasta luego...
09/04/2008
Entre Espelho e Tabaco II
Me lembro de haver me referido no outro post ao cigarro como meu amante tabagístico.Deixo claro aqui para as mentes mais imaginativas e poluídas que a minha, que a palavra amante nesse caso siginifica inocentemente meu dono mental e companheiro de todas as horas, percebe?
Agora que as coisas estão devidamente esclarecidas, vou dizer por que considerava meu cigarrettes como uma espécie de amante ou melhor dizendo, por que tínhamos uma relação doentia de amor e ódio.
Em primeiro lugar, aonde eu estava, lá estava ele, firme e forte . Eu precisava dele para tudo e ele precisava de mim para viver. De certa forma, além da literal, ele me sufocava, pois não me dava espaço para ficar sozinha numa boa nunca.
Seu cheiro forte tinha sempre que estar misturado ao meu suave perfume.Se eu estava triste, ele me consolava; se eu estava feliz, ele festejava comigo; se eu estava inquieta, ele me acalmava e assim por diante.
Haviam poucos lugares onde ele não me acompanhava escancaradamente. Mas eu não podia cojitar a possibilidade de sua ausência. Eu sempre dava um jeito de me retirar um pouco para tragá-lo e senti-lo me dominando. Ou, dependendo do meu humor e da época do mês, simplesmente não frequentava tais locais. Precisava dele como de ar pra viver. Relação amorosa doentia e dependente. Credo.
Ele sempre foi muito possessivo, a ponto de me fazer sair de madrugada de casa quando eu percebia sua falta, não me deixava abandoná-lo nem em pensamentos, me deixando paranóica só de pensar na possibilidade. Ele exercia um domínio tão intenso sobre meu corpo e mente, que hoje não consigo entender como isso era possível. Eu era capaz de brigar por causa dele, de fazer escolhas absurdas para não renunciá-lo. E muitas vezes o fiz, sem arrepender-me.
Mas relações doentias têm como pano de fundo o tempo pré determinado e o disparador do cronômetro é acionado no momento em que a relação se inicia . Cedo ou tarde uma das partes envolvidas acorda e resolve dar um fim na obsessão. Minha relação de dependência parece ter acabado.
Como em um final de namoro, estou me acostumando com a sua ausência e sentindo uma dor misturada com alívio por isso. Depressão, irritação, sensação de faltar algo... Isso tudo ainda existe, mas em menor grau do que eu imaginava que seria e isso faz parte, é o preço a pagar pela escolha (não esqueçam que era uma relação de dependência).
A renúncia ao prazer momentâneo, ao vício fedorento me trará resultados a médio e longo prazo. Estou gostando do meu progresso. Mais uma vez estou constatando que sou mais forte do que penso e que quando me determino consigo meus objetivos.
Adeus meu estranho amor, chegaste na minha vida e me ganhaste quando eu não era tão importante pra mim, dessa forma tomaste conta e entraste em todos os cantos escondidos e em todas as partes onde eu não costumava viver. Te tornaste imperador de um reino abandonado, sem muita expectativa de progresso.
Mas reencontrei meu caminho e resolvi voltar para meu reino, tomar conta de mim e varrer toda a remota lembrança de ti por mais difícil que isso seja. Tu fazia parte desse lado podre. Espero que não nos encontremos numa dessas curvas perigosas da vida.
Mas se isso acontecer e tu me ofereceres consolo, que eu saiba te dizer: Não, obrigada! Agora eu ando sozinha.
Agora que as coisas estão devidamente esclarecidas, vou dizer por que considerava meu cigarrettes como uma espécie de amante ou melhor dizendo, por que tínhamos uma relação doentia de amor e ódio.
Em primeiro lugar, aonde eu estava, lá estava ele, firme e forte . Eu precisava dele para tudo e ele precisava de mim para viver. De certa forma, além da literal, ele me sufocava, pois não me dava espaço para ficar sozinha numa boa nunca.
Seu cheiro forte tinha sempre que estar misturado ao meu suave perfume.Se eu estava triste, ele me consolava; se eu estava feliz, ele festejava comigo; se eu estava inquieta, ele me acalmava e assim por diante.
Haviam poucos lugares onde ele não me acompanhava escancaradamente. Mas eu não podia cojitar a possibilidade de sua ausência. Eu sempre dava um jeito de me retirar um pouco para tragá-lo e senti-lo me dominando. Ou, dependendo do meu humor e da época do mês, simplesmente não frequentava tais locais. Precisava dele como de ar pra viver. Relação amorosa doentia e dependente. Credo.
Ele sempre foi muito possessivo, a ponto de me fazer sair de madrugada de casa quando eu percebia sua falta, não me deixava abandoná-lo nem em pensamentos, me deixando paranóica só de pensar na possibilidade. Ele exercia um domínio tão intenso sobre meu corpo e mente, que hoje não consigo entender como isso era possível. Eu era capaz de brigar por causa dele, de fazer escolhas absurdas para não renunciá-lo. E muitas vezes o fiz, sem arrepender-me.
Mas relações doentias têm como pano de fundo o tempo pré determinado e o disparador do cronômetro é acionado no momento em que a relação se inicia . Cedo ou tarde uma das partes envolvidas acorda e resolve dar um fim na obsessão. Minha relação de dependência parece ter acabado.
Como em um final de namoro, estou me acostumando com a sua ausência e sentindo uma dor misturada com alívio por isso. Depressão, irritação, sensação de faltar algo... Isso tudo ainda existe, mas em menor grau do que eu imaginava que seria e isso faz parte, é o preço a pagar pela escolha (não esqueçam que era uma relação de dependência).
A renúncia ao prazer momentâneo, ao vício fedorento me trará resultados a médio e longo prazo. Estou gostando do meu progresso. Mais uma vez estou constatando que sou mais forte do que penso e que quando me determino consigo meus objetivos.
Adeus meu estranho amor, chegaste na minha vida e me ganhaste quando eu não era tão importante pra mim, dessa forma tomaste conta e entraste em todos os cantos escondidos e em todas as partes onde eu não costumava viver. Te tornaste imperador de um reino abandonado, sem muita expectativa de progresso.
Mas reencontrei meu caminho e resolvi voltar para meu reino, tomar conta de mim e varrer toda a remota lembrança de ti por mais difícil que isso seja. Tu fazia parte desse lado podre. Espero que não nos encontremos numa dessas curvas perigosas da vida.
Mas se isso acontecer e tu me ofereceres consolo, que eu saiba te dizer: Não, obrigada! Agora eu ando sozinha.
03/04/2008
Entre Espelho e Tabaco I
Estou chegando ao décimo dia sem fumar. E o mais importante desse tempo, sem nenhuma tentativa de me ludibriar.
Sim, por que invariavelmente, toda vez que tentei parar de fumar, além da irritação descabida, da tremedeira e do excesso de salivação, a sabotagem fazia parte do pacote promocional de abstinência.
A coisa era tão descarada, que mantinha escondido um maço de cigarros para os momentos de desespero total.
É horrível admitir, mas eu era uma farsante. Uma demagoga que a cada tentativa de parar com o tabaco, fazia apologia a vida saudável mas sequer conseguia se livrar das tragadas escondidas, afinal de contas, era a melhor parte do dia.
Hoje me pergunto; quem eu tentava enganar?
Já não sou uma adolescente que precisava esconder os cigarros da mãe nos bolsos dos casacos para evitar um interminável bate bocas, há décadas que não preciso dar satisfação de forma obrigatória pra ninguém, então, por que e pra que?
O tempo passou, apesar da culpa e da terrível e velada sensação de fracasso voltei a fumar de novo mas nunca admiti meu segredinho sujo pra ninguém. O faço agora, como uma lavagem de roupa suja atrasada.
Passado um ano da última e frustada tentativa de largar meu vício prazeroso, e de maneira totalmente inversa às anteriores, paro de fumar sem nenhum subterfúgio ou plano B.
Fui fumante por 20 anos e nesse meio tempo, tive apenas duas ou três paradinhas entre as voluntárias e obrigatórias, mas sempre pensando no próximo cigarro e nunca me desfazendo do arsenal de isqueiros e cinzeiros que possuía.
Afinal, nunca se sabe quando vamos precisar desesperadamente e iremos sucumbir a uma tragada... no meu caso, era no máximo uma semana.
Mas a gente envelhece ou melhor, amadurece e outras coisas acabam pesando mais na balança.
Seria mentira se eu dissesse que foi principalmente por causa da saúde, do preço do cigarro, ta ta ta ta ta ta que parei de fumar. Isso pra mim é balela. Parei por vaidade.
Isso mesmo, enquanto todos me torravam a paciência com frases: "Para de fumar, olha a tua saúde!" ou "Pelos teus filhos, para de fumar!" Eu sequer me comovia ou melhor, ouvia. Culpa da minha insensibilidade para lugares comuns e melodramas baratos.
Mas foi alguém me dizer "Tu tens que parar de fumar, o cigarro tira um pouco do teu charme" que o recado caiu sobre mim como a bomba em Nagasaki, foi um verdadeiro boom.
Como assim? Meu charme vai embora? Viro um ser qualquer, sem it nenhum?? Para tudo agooooraa!!!!
Já passei da idade do corpinho sarado, de parar o trânsito e dos áureos tempos em que se colocasse até um saco de linhagem no corpo ficava bonita. Estou na fase em que a beleza é mais madura e pode levar horas pra ficar apresentável, mais intelectual do que carnal, mas charme do que bunda empinada. E se esse tal de charme for embora a cada fumaça liberada pelos meus cigarros, o que será de mim?
Definitivamente, não estava preparada para um baque desses. Pensei muito *por uma semana, diga-se de passagem, e resolvi largar de vez meu amante tabagístico.
Dizem que o orgulho só não é maior que o amor próprio em uma mulher, pois eu digo que nada é maior que os brios femininos.
Sim, por que invariavelmente, toda vez que tentei parar de fumar, além da irritação descabida, da tremedeira e do excesso de salivação, a sabotagem fazia parte do pacote promocional de abstinência.
A coisa era tão descarada, que mantinha escondido um maço de cigarros para os momentos de desespero total.
É horrível admitir, mas eu era uma farsante. Uma demagoga que a cada tentativa de parar com o tabaco, fazia apologia a vida saudável mas sequer conseguia se livrar das tragadas escondidas, afinal de contas, era a melhor parte do dia.
Hoje me pergunto; quem eu tentava enganar?
Já não sou uma adolescente que precisava esconder os cigarros da mãe nos bolsos dos casacos para evitar um interminável bate bocas, há décadas que não preciso dar satisfação de forma obrigatória pra ninguém, então, por que e pra que?
O tempo passou, apesar da culpa e da terrível e velada sensação de fracasso voltei a fumar de novo mas nunca admiti meu segredinho sujo pra ninguém. O faço agora, como uma lavagem de roupa suja atrasada.
Passado um ano da última e frustada tentativa de largar meu vício prazeroso, e de maneira totalmente inversa às anteriores, paro de fumar sem nenhum subterfúgio ou plano B.
Fui fumante por 20 anos e nesse meio tempo, tive apenas duas ou três paradinhas entre as voluntárias e obrigatórias, mas sempre pensando no próximo cigarro e nunca me desfazendo do arsenal de isqueiros e cinzeiros que possuía.
Afinal, nunca se sabe quando vamos precisar desesperadamente e iremos sucumbir a uma tragada... no meu caso, era no máximo uma semana.
Mas a gente envelhece ou melhor, amadurece e outras coisas acabam pesando mais na balança.
Seria mentira se eu dissesse que foi principalmente por causa da saúde, do preço do cigarro, ta ta ta ta ta ta que parei de fumar. Isso pra mim é balela. Parei por vaidade.
Isso mesmo, enquanto todos me torravam a paciência com frases: "Para de fumar, olha a tua saúde!" ou "Pelos teus filhos, para de fumar!" Eu sequer me comovia ou melhor, ouvia. Culpa da minha insensibilidade para lugares comuns e melodramas baratos.
Mas foi alguém me dizer "Tu tens que parar de fumar, o cigarro tira um pouco do teu charme" que o recado caiu sobre mim como a bomba em Nagasaki, foi um verdadeiro boom.
Como assim? Meu charme vai embora? Viro um ser qualquer, sem it nenhum?? Para tudo agooooraa!!!!
Já passei da idade do corpinho sarado, de parar o trânsito e dos áureos tempos em que se colocasse até um saco de linhagem no corpo ficava bonita. Estou na fase em que a beleza é mais madura e pode levar horas pra ficar apresentável, mais intelectual do que carnal, mas charme do que bunda empinada. E se esse tal de charme for embora a cada fumaça liberada pelos meus cigarros, o que será de mim?
Definitivamente, não estava preparada para um baque desses. Pensei muito *por uma semana, diga-se de passagem, e resolvi largar de vez meu amante tabagístico.
Dizem que o orgulho só não é maior que o amor próprio em uma mulher, pois eu digo que nada é maior que os brios femininos.
17/03/2008
Domingo,Sakurás e outras Coisinhas

Domingo é um dia estranho. É ó dia oficial do ócio, mas também o dia que depois das 5 da tarde, torna-se melancólico. Isso é culpa da segunda, que apesar de ser o dia oficial para se começar alguma coisa, também é o algoz do domingo.
Voltando à realidade, aproveitei meu domingo de manhã e fui dar uma caminhada com meu fiel escudeiro Yuki, meu chihuahua amado.
Nada melhor para fazer bem ao corpo e a alma que uma caminhada sem compromisso, com um solzinho aprazível e um céu azul sem fim.
Descobri na esquina de casa uma tímida árvore de sakurá, ainda jovem. Não tive dúvidas e tirei fotos! Coloco aqui duas para confirmar meu post sobre Sakurás. E lembro a todos também que o álbum Janela Imaginária está sempre sendo atualizado.
No mais, o domingo transcorreu dentro da normalidade, comprei alguns remédios pra minha crise de cafuncho que não me larga e decidi comprar (finalmente) uma goma de mascar que promete ajudar a parar de fumar.
Pois é, decidi economizar dinheiro e salvar minha saúde enquanto é tempo. Espero dessa vez conseguir levar minha decisão com determinação, ao contrário de outras tentativas frustadas que tenho na bagagem.
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