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12/11/2009

Oompa Loompas, cade meu bilhete dourado???

Fui uma criança muito criativa e com imaginação pra lá de fértil. Confesso que não mudei muito ao longo dos anos, mas isso é uma outra história.
Um dos filmes que marcou minha infância foi sem dúvida A Fantástica Fábrica de Chocolates, e por mais que não pareça, sou do tempo em que Willy Wonka era Gene Wilder, o mesmo que anos mais tarde se seduziu pela Dama de Vermelho.

Eu era fascinada por esse filme. Vi e revi várias vezes pela televisão. Sim, por que naquela época não existiam video cassetes, e as reprises eram feitas exaustivamente pela Sessão da Tarde na Rede Globo de TV. E eu, logicamente vi todas.

Duvido que alguém da minha geração nunca tenha desejado comer um chocolate Wonka e encontrar nele um bilhete dourado, tão pouco acredito numa só criança que não sonhou com aquela fábrica de sonhos adocicados.
Eu por exemplo, sonhei várias que estava nadando na piscina de chocolate.

Os anos passam, os sonhos mudam, as memórias afetivas vão para o fichário da vida e um belo dia, quando menos esperamos, elas reaparecem num passe de mágica diante dos olhos e com a emoção e expectativa redobradas pelo reencontro.

Foi o que senti neste fim de semana numa loja cheia de coisinhas legais que fui num bairro vizinho ao meu.
Eu não tinha visto, pois estava num frenesi danado com tantas coisas fowfas piscando pra mim quando o lado zen, sempre atento e conhecedor de meus gostos mais secretos, me chama para mostrar uma caixinha de papelão com algumas barras do maravilhoso e eternamente desejado chocolate Wonka.

Meus olhos brilhavam como os de uma criança diante seu brinquedo favorito, tive um pire-paque e sem perceber sacudia as mãos e falava sem parar
" Wonka!!! Eu quero! Eu quero! Deixa! Posso! Por Favor! "
como se tivesse 7 anos de idade e falasse com meu pai para me dar algo que naquele momento, era objeto de primeira necessidade para mim.

Óbvio que fui motivo de risada da family ( meus filhos até já acostumaram com a mãe que tem e disseram: "Papai, compra senão a mamãe vai ter um ataque..." Juro, fingi que não era comigo...)
Mas pensa bem, quantos da minha geração não queriam estar lá no meu lugar realizando esse sonho?
Isso foi no domingo, e apesar dos pedidos insistentes das crianças, ainda não tive coragem de abrir e não sei bem o por quê; pois mesmo sabendo aonde tem e que não é o único, fico com medo de perder meu sonho e não encontrá-lo mais.

Sei que é meio louco isso e que sou uma idiota ao revelar, mas é verdade, fazer o quê.
Mas já sei que o bilhete premiado não está dentro dele, pois na frente da embalagem tem um círculo dourado falando da promoção para ganhar o bilhete.

É fato que muitas pessoas estabelecem uma relação afetiva com um determinado produto, como aconteceu comigo e meu chocolate, mas isso não justifica minha neura em não consumi-lo.

Prometi à eles que abriria depois de tirar uma foto e depois de 4 dias enrolando, não tenho mais como fugir desses predadores infantis que não entendem meu drama e não se compadecem de meu sofrimento.
Acho que de hoje não passa.
O que me conforta é saber que tem mais e que posso adquiri-las.

E mesmo sabendo que o bilhete dourado não estará lá, a expectativa ao abrir uma barra, a sensação gostosa causada pela ansiedade carregada de lembranças infantis sempre estarão presentes, pelo menos enquanto o chocolate derreter em minha boca.


Miss Yang nesse momento lembra desse poema:
"Oh! que saudades que tenho . Da aurora da minha vida, Da minha infância querida. Que os anos não trazem mais!" e se sente abdusida por Casimiro de Abreu.

23/06/2009

Todas as Bolinhas Coloridas pra Ela

O sol tá fervendo lá fora, eu to com uma preguiça daquelas pra começar a trabalhar, a gripe se foi mas a tosse ainda insiste em me acompanhar, mas to feliz.
Liguei hoje pra minha amiga Erika que foi embora de vez pro Brasil faz duas semanas.
Amiga essa que deixou mais do que saudades, levou com ela parte do meu coração.
Quando ela morava aqui, nos falávamos quase que diariamente por telefone, pois morávamos em províncias diferentes, 4 horas de viagem. Mesmo assim, a distância não nos impediu de visitarmos uma a outra. Não me impediu também de ir me despedir dela, já que não faço a mínima idéia de quanto tempo levaremos pra nos ver novamente.
Ela era a minha guru, como eu costumáva chamá-la. Melhorei muito depois que a conheci. Parece que nos conhecemos de toda a vida.
É daquelas pessoas que sempre sabem o que te dizer, que apesar da voz calma, tem uma personalidade forte, que sabe rir das tristezas como eu, verdadeira e transparente, que sabe colocar o dedo na moleira sem machucar as pessoas que ama, que alegra a gente pelo simples fato de existir.
Meu time sofreu um tremendo desfalque sem ela. Culpa dessa crise que assolou o Japão e tá fazendo vítimas sem perdão.
Depois de mais de 15 anos como imigrante, ela teve que voltar. E eu sofro por isso. Ela também.
Mas pelo menos a gente pode matar a saudade pelo telefone, como a gente sempre fez. Nos falamos enquanto ela tava em trânsito em Dubai, nos falamos quando ela chegou, e agora, que o fuso já tá normalizando e que ela já está acomodada na sua casinha linda, podemos nos falar mais.
E assim faremos. Hoje ficamos 2 horas no telefone. Isso não é nada, já chegamos a ficar quase 3 horas aqui no Japão... E olha que eu odeio telefone.... só ela consegue a proeza de fazer eu ficar tanto tempo com esse troço pindurado no ouvido!
É que assunto nunca falta pra nós. E isso é o mais gostoso nisso tudo.
A certeza de que nada, nem a distância pode nos afastar.
Mesmo que a gente não possa mais pegar o carro e ir se visitar, mesmo com o fuso como barreira, teremos sempre o telefone pra sanar a ausência.
Então o dia hoje vai ser assim, alegre, com bolinhas coloridas e sem cerejas no bolo em homenagem à minha amiga-sócia-irmã Erika.

Miss Yang odeia telefone, mas esquece isso quando se trata de falar com pessoas queridas no Brasil.

04/10/2008

Faça Sua História

Esta semana fiquei um pouco afastada do blog, aproveitei pra fazer as mudanças que cada estação exige, sem ranço ou bronca, na boa, tranquilaça; pois ao contrário da crise mundial e da situação da economia japonesa, estou que nem a Xuxa, "de bem com a vida e de feliz pra burro".

Eu diria até que é possível ser feliz e estar na paz em situações onde temos que andar na contra-mão com o piloto automático ligado, por que paz de espírito e alegria de viver não se compram em magazines e muito menos se saca no caixa eletrônico.

Aproveitei pra arrumar a casa de um jeito diferente, e quando a chuva parou, abri todas as janelas para o vento circular e mudar todo o ar, tirei cobertores e roupas mais quentes de dentro dos roupeiros, lavei para tê-los limpinhos, cheirosos e macios, prontos para enfrentar dias mais frios, e metaforicamente, foi como se estivesse lavando a alma e arrumado as gavetas interiores. Sei lá, mas me deu essa sensação.

E hoje (sábado) pra endossar toda esse clima love's in the air aqui de casa, no final da manhã, quando o lado zen voltou do jogo de tênis com a Yuyu (que foi a tira-colo) trouxeram pra mim um lindo ramo de mini rosas "pra me deixar feliz" como disse minha fofolete.

Não é liiiindo!! Precisa mais dique meu amigo? Nada não, obrigada, tá bom assim, a pele também tá ótema... Preocupação agora só com o hoje, amanhã é só amanhã. Apesar da frase direta e fácil, nem sempre é fácil vivenciá-la.

Vou tentar ser sempre assim; "esquecer" o amanhã e me preocupar (só) em viver bem o"hoje". Tô achando que grande parte das minhas aflições eram por conta disso. Serei menos confusa, e vou deixar a vida me levar, pra onde ela quiser.

02/09/2008

ConFuso é Hype*

Não sabia que existia o “Blog Day”. Muito menos que sua data (31/08) é um trocadilho com a palavra blog. Esse dia é o dia da democracia no mundo blogueiro, é o dia pra divulgar outros blogs recomendando cinco deles aos seus leitores.
E meu lado mais ConFuso foi indicado na lista do Joel Teixeira .

( !!!! aqui está o meu caminho florido tão sonhado com o arco-íris formado enquanto passo e com pessoas desconhecidas sorrindo para mim e me desejando congratulations...)

Esta é a descrição que ele fez desse modesto canto:

" ConFuso: Blog da Miss Yang; Conheci seu blog através de um trackback e foi amor a primeira lida, ela tem um estilo único de escrever e a geladeira mais multifacetada já conhecida. "

Joel, só posso te dizer que ao mesmo tempo em que me surpreendo por tua indicação, fico feliz! Nunca imaginei que um cantinho criado a tão pouco tempo pudesse agradar pessoas tão antenadas e exigentes de boa leitura. Honto Arigato :)

* e por que ninguém precisa saber o significado de tudo.... Hype significa "o assunto da moda no momento"; "promoção de uma pessoa, idéia ou produto" e na gíria " algo que está dando o que falar".

[ ] ' s
ou seja,
Abraços

18/07/2008

Nunca te Vi Sempre te Amei

Esse é o título de um filme de 1986 em que uma escritora envia uma carta a uma pequena livraria solicitando algumas obras raras. o vendedor atende a seu pedido, iniciando uma troca de cartas comovente entre dois continentes por duas décadas. Suas cartas íntimas e detalhadas descrevendo seus sonhos, esperanças, sofrimentos e alegrias nos faz mergulhar no universo de suas vidas, e eles acabam desenvolvendo uma amizade notável e duradoura.

Como dizem, a vida imita a arte, e em tempos de era digital, amizades entre pessoas que nunca se viram mas que se tornam verdadeiras amigas se firmam através da internet, alimentadas por programas como Orkut, msn e Blogs.

Sempre fui uma pessoa de fácil sociabilização mas nunca acreditei que seria capaz de fazer amizades com pessoas que nunca vi e que dificilmente poderei manter um contato real. Sei lá, sou tão superlativa que gosto de viver minhas relações com intensidade, inclusive as de amizade.

Mas quando me rendi ao Orkut e recentemente ao blog, descobri que é possível sim ter um amigo virtual. E mais, que amizades a distância são muito mais fáceis de certa forma, de se solidificarem e de darem certo.

Digo isso pelo fato de inicialmente ser mais fácil extravasar os sentimentos com alguém que não conhecemos, que não temos uma relação real, que geralmente implica um comprometimento muito maior; é como se estivéssemos conversando com o analista. Fora que na correria do dia a dia, é mais fácil encontrar o amigo na net que pessoalmente. Sem contar que no exterior, pelo menos aqui no Japão, as amizades voláteis são muito mais regra do que exceção.

Digo tudo isso pra conceituar minha experiência de amizade virtual, que foram muitas nesses longos anos de inclusão digital, mas como tudo na vida, tenho meus destaques especiais.
Das inúmeras pessoas que desenvolvi uma boa amizade, destaco três que se fazem muito presente na minha vida ultimamente. São elas: Erika, Ge, Ale.

A Erika trabalhou comigo no movimento dos Brasileirinhos Apátridas, o qual conseguimos que os filhos de brasileiros nascidos no exterior pudessem ter o direito de ser brasileiro sem precisar lutar na justiça. Hoje temos uma boa amizade e nos falamos quase que diariamente, além de mantermos juntas algumas comunidades bem freqüentadas no Orkut.

A Ale é uma pessoa maravilhosa com um coração de ouro e o que nos aproximou foi o amor pelos animais. Ela foi a peça fundamental na adoção da Jolie e apesar de não nos falarmos mais diariamente, ainda mantemos contato. Suas palavras sempre vêm na hora certa e tocam meu coração.

A Ge, que já postou alguns comentários aqui no blog, é outra amiga especial e nossa aproximação foi através do trabalho maravilhoso que ela desenvolve com crianças órfãos da Tailandia através da Moneh Trade, sua empresa de importação de produtos Tai. De todas, é a única que não desenvolvi alguma coisa juntas, mas isso ainda está nos planos.

Essas três mulheres maravilhosas são mais que amigas virtuais. São guerreiras em suas vidas pessoais, amigas que sempre tem uma palavra de carinho na hora certa, uma frase para me fazer sentir especial quando eu mais preciso, e tudo isso sem saberem o quanto estão sendo importantes mesmo que a distância. E o mais fantástico de tudo, sem pedirem nada em troca; tudo por amor, amizade, respeito e admiração.

Meu maior desejo é conhecê-las pessoalmente, embora todas morem no Japão, cada uma em uma região distante e diferente da minha. Mas nada é impossível quando o amor é o combustível e quando a vontade de confirmar pessoalmente tudo que já se sabe virtualmente é maior que a distância territorial.

Saibam que amo vocês e faço desse meu singelo espaço o mural pra demonstrar toda a admiração, carinho e respeito que tenho por cada uma de vocês. Que o dinamismo da web que nos aproximou nunca nos afaste, pois novas amizades sempre devem brotar, mas sem sufocar as que já floresceram.

15/07/2008

Olhai os Girassóis do Campo

Conforme prometi, eis as fotos dos campos de girassóis tiradas com o IPhone. A resolução é impressionante. E os campos de girassóis então, nem se fala! Ganhei o domingo só por esses momentos.



12/07/2008

100! 100! 100!

O que eu achei que seria improvável aconteceu!
Já passei as 100 postagens! (com essa 101.) E também já passei as 1000 visitas (!!!)
Tenho todos os motivos pra ficar bem feliz de contente já que nunca tive a expectativa de um dia chegar a esses números que são modestos para um blogueiro de verdade mas muito significativos para uma aspirante como eu.
Também já ultrapassei os 100 dias sem fumar. Hum, será esse um número cabalístico para minha pessoa nesse ano?
100 postagens, 100 dias sem fumar, 1000 visitas...
Espero ter mais 100 motivos para não abandonar esse canto confuso, mais 100 razões para continuar escrevendo e 1000 pretextos para publicar o que escrevo.
Sigo por aqui,
conto contigo.

14/04/2008

Sem Mais...

Esse fim de semana não tive vontade de navegar e descobrir vídeos para a tradicional postagem de sábado a noite por que decidi dar uma atenção especial para minha vida real.
E fiz bem com isso. Mudamos a rotina dos fins de semanas e resolvemos ficar em casa, aproveitar o solzinho comendo um churrasco no almoço (por que gaúcho não vive sem churras e sem chimas, se é que me entendem), tomar um chimas, ler um livro, dormir ao ar livre vendo as crianças brincarem até se acabar, não necessariamente nesta ordem.
Perfeito. Deu pra curtir bem a família e a casa. Engraçado é que só damos valor a isso quando o fazemos. É infinitamente melhor ficar em casa no ócio dominical do que bater perna em shopping ou coisa parecida.
Mas não adianta. Por melhor que isso seja, não dá pra fazer sempre, pois logo o bicho carpinteiro urbano e consumista começa a coçar e o povo já suplica para sair. Enquanto isso não acontece, ficamos em casa curtindo esses momentos raros.

12/04/2008

Benefícios de um Jardim Cuidado

O segredo é não correr atrás das borboletas...


É cuidar do jardim para que elas venham até você.

Mário Quintana

11/04/2008

Outros Olhares

No fundo o que todo mundo quer é ser feliz. E não adianta negar isso. Eu quero, tu queres, todos querem. Mesmo a pessoa mais fechada e carrancuda procura a felicidade. O que difere entre os seres é a maneira de procurar e a interpretação do significado desse estado de espírito.
Para uns ser feliz é ter estabilidade, bom emprego, carro novo e casa confortável. Para outros, para ser feliz basta ter saúde. E para um outro grupo minoritário de pessoas, a chave da felicidade está nas pequenas coisas. Eu me incluo nesse grupo.
Claro que dinheiro é muito bom e eu também gosto, além de proporcionar momentos de felicidade que nem todos podem comprar; e óbvio que ter saúde é maravilhoso e traz muita felicidade também... Mas é possível ser feliz sem muito dinheiro e sem muita saúde... basta se ater nas pequenas coisas...
Sei muito bem o que digo, pois já fui infeliz com grana no bolso, como também já tive muitos momentos de felicidade quando a saúde não era minha melhor companheira. E foi justamente nessa época que aprendi a ser feliz com... as pequenas coisas.
Quando se passa por uma dificuldade muito maior que nossa capacidade de resolução, há que se aprender a ligar o piloto automático e conduzir as coisas da melhor maneira possível.
E foi o que aprendi quando tive que tirar férias de um mês em um hospital por que parte do meu corpinho entrou em greve e não respondia aos comandos do meu cérebro.
O que fazer? Chorar? Não adianta, só incha a cara e eu fico horrível depois de uma crise de choro... Espernear? Não... Isso não dava por que as pernas não me obedeciam... Lamentar e ficar dizendo por que eu? Definitivamente, todos aqui já sabem, odeio dramas... é mais fácil eu dizer mas por que não eu, isso deve ter um propósito...
E assim conduzi meus dias desde minha primeira noite naquele hotél improvisado em que me instalei; com bom humor, medo, paciência e tentando acalmar os parentes e amigos, esses sim em desespero.
Nesse tempo, dei valor aos meus cabelos, quando via tufos inteiros indo embora no travesseiro ou na escova; redescobri como é bom ler ou ouvir um livro ser lido; me apaixonei por croissants, que eram levados religiosamente todas as tardes por uma tia atenciosa; percebi como é bom poder levantar e dar uma caminhada seja pra onde for que as pernas nos levarem; descobri os prazeres de uma boa música; de conversar com pessoas mais velhas, me lembro com saudades da Nadir, minha enfermeira favorita e de Sônia, senhora de quase 70 anos com alma e aparência juvenil que me rendia boas risadas e infinitas conversas sobre tudo, afinal tínhamos tempo de sobra. Aprendi que mesmo sem falar direito, meus olhos falavam por mim.
As pequenas coisas passaram a ter importância em tudo na minha vida depois daquele mês de abril. Me emociono e dou valor a detalhes que para a maioria passa batido.
Minha sensibilidade ficou aflorada para o imperceptível do dia a dia e mais dura para o excesso de autopiedade. Não consigo ter compaixão para dramas fúteis e caprichos pessoais, já tentei mas não dá, começo a dar risada. Posso parecer até meio insensível, mas depois de tudo que passei, não tá em mim.
Pessoas que lutam e vencem doenças ditas graves e depois disso conseguem viver com dignidade, sem artíficios ou auxílio de qualquer outra coisa que não seja seu próprio corpo, tornam-se fortes e resistentes às armadilhas caprichosas que outros possam usar para conseguir atenção e privilégios.
Mas a felicidade extraída das pequenas coisas não se consegue somente passando por um momento extremo. Pode-se conseguir com o exercício da sensibilidade, com a valorização do belo no simples, com a percepção aos presentes de Deus, como a natureza e a vida.
Viver é um ensinamento constante, apendemos todos os dias com tudo que nos acontece. Experimente ser feliz por uma coisa simples. Deixe a pureza de um olhar infantil te tocar, a delicadeza de uma flor te emocionar, olhe o céu azul e sua infinidade e inspire-se com ele. Duvido que não sintas um pinguinho de paz e de uma coisinha boa crescendo dentro do peito depois disso!
Se sentires vergonha, não conte pra ninguém, esse momento é somente seu. Mas exercite isso, tenho certeza que te fará bem, que te tornará uma pessoa melhor. Eu mesma levei anos para dividir isso com alguém, pois me achava ridícula por tais pensamentos. Hoje vejo que ridículo é ter vergonha de sentir-se feliz por quase nada, por tão pouco.
Mas por que tudo isso? Todas essas palavras?
Por que essa semana faz 12 anos que saí daquele hospital e aprendi que a felicidade está na simplicidade. E que o óbvio é o mais difícil de enxergar.

07/04/2008

"Eu desistiria da Eternidade para tocar em você
Pois sei que de alguma forma você me percebe...
Você é o mais perto do céu que eu posso chegar...
Eu não quero voltar para casa agora

O único gosto que sinto é o deste momento...
E tudo que tenho para respirar é o seu amor!
Porque cedo ou tarde isso pode acabar...
Hoje a noite não te deixarei ir
Eu preferiria
Sentir o cheiro dos seus cabelos
Dar um beijo em sua boca
Tocar uma vez em sua mão
A passar a eternidade sem isso."
Cidade dos Anjos


Essa foto tirei domingo, em Long Beach, Tahara. O lugar é lindo, impossível não se apaixonar e mais impossível ainda não querer voltar.
Quando vi os surfistas na água, a primeira lembrança que tive foi da cena dos anjos na praia do filme citado acima. A diferença é que os meus anjos estavam dentro d'água e não na areia. Mas a paz e a emoção transmitidas com a cena foi a mesma que o filme me proporcionou, por isso a citação. Mais fotos no Janela Imaginária.

31/03/2008

Ya, Mi Cumpleaños, que tal!

Chegou o tão esperado domingo!!! Nada melhor pra um domingo chuvoso que um bom restaurante ( o Kinder!!!!!!!), amigos animados, boa comida, muitos croissants, muitas risadas, boa bebida e, por acaso, o meu aniversário....
Agradeço aos amigos que marcaram presença antes, durante e depois do restaurante. Com certeza foi inesquecível!! No aguardo ainda das fotos do mico B'52, mas isso explico com a postagem das mesmas... To no aguardo viu Raul!!
Valeu gente! Obrigada a todos do Brasil, do Japão, da Austrália, de Londres, da China, do Canadá e de El Salvador que desde sábado lembraram de mim com emails, scraps, msn ou telefonemas. Cada mensagem lida, cada palavra dita me deixou emocionada e com aquela sensação de aconchego. Amo vocês!

26/03/2008



Hoje ela faz 4 anos. O sorriso é o mesmo e a alegria que me transmite infinitamente maior.

24/03/2008



Amo esse casal.
Ele tem um temperamento igual a um paiol que a qualquer momento pode estourar, mas ao mesmo tempo é dono de humor apuradíssimo e sabe como ninguém, rir das desgraças da vida. Aliás, acho que isso herdei dele, já que dizem que sou sua versão feminina.
Quem não o conhece poderá afirmar que é um cara de mal com a vida, estourando por qualquer coisa e sem paciência com por menores do cotidiano.
Eu o vejo diferente. Vejo com os olhos de admirador, que sabe que atrás de toda a superficialidade das aparências, existe um ser humano incrível, sempre disposto a ajudar qualquer pessoa que passe pelo seu caminho e que precise de auxílio.
Uma pessoa que não demonstra suas qualidades de graça para qualquer um, apenas aos poucos que tiverem a honra de ter sua confiança terão esse presente, e pode apostar, terão ganhado na loteria por isso, pois não pararão de rir um minuto sequer.
Eu sou uma dessas poucas ganhadoras. E me orgulho muito disso. Meu tio é uma figura ímpar, adorável, engraçado, que conseguiu revelar muita das suas qualidades através da Márcia, pela Márcia, com a Márcia.
Ela tem o temperamento igual à brisa na praia. Serena, mas que mesmo assim impõe sua presença e consegue com calma e bom humor, cutucar a fera sem ser mordida.
Com ela ele sorri mais, com ele ela brilha mais. Com ela, ele vive, com ele ela é mais feliz.
Não imagino mais ele ou ela. Pois quando penso neles é no conjunto, pois eles são um só e melhores quando estão juntos. Ela é o melhor dele e ele é o melhor dela.
São a prova de que nunca é tarde para ser feliz, nunca é tarde para amar, para fazer planos, escolhas e realizá-los.
Os longos anos que levaram para ficarem juntos é definitivamente coisa do passado. Lembro-me vagamente daquela época, quando estavam presos em suas vidas sem cor e dividiam sem querer as fotos de nossos álbuns de família.
Se todos soubessem lá atrás o que seriam juntos, aposto que alguém sabotaria o tempo para apressar essa união. Eu seria uma.
Quando eu voltar, uma das primeiras coisas que quero fazer é ir ao encontro deles constatar a realização de seus planos e recarregar minha bateria de esperanças.

22/03/2008

Entre Sofás e Croissants

Desculpem-me o trocadilho ínfimo, mas sábado e domingo são os dias oficiais para literalmente se cair de boca no pecado da Gula.

Não sou o que se pode chamar de mestre cuca, e meus dotes culinários suprem apenas o básico e necessário para não morrer e não matar a família de fome. (salvo alguns raríssimos pratos que faço com louvor e alguns ainda mais raros momentos de inspiração culinária)

Por isso amo fim de semana, pois sei que nesses dias não tenho que travar uma batalha com o fogão, panelas e temperos.

Hoje fui num restaurante italiano que resolvi chamá-lo de Kinder Ovo pelo fato de por fora pecar pela simplicidade e mesmice do branco e de cores italianas, mas por dentro... aha! surpresa!!

Um local pra lá de acolhedor, que ao invés de cadeiras senta-se em confortáveis sofás, com vários ambientes, cada qual mais aconchegante, apesar da decoração já estar um tanto quanto surrada.

Sentamos na parte central; o que primeiramente era uma área aberta dentro da estrutura da casa e que virou um lounge com teto transparente, jardim de inverno e cortininhas na cor ocre presas em varas de bambu, tudo decorado de um modo meio displicente, é ai que está todo o seu charme.

O restaurante estava cheio e nós éramos os únicos estrangeiros do local, mas nem por isso deslocados ou acanhados. O que me leva a crer que a brasileirada ainda não descobriu as maravilhas daquele restaurante, confesso que até prefiro assim, mas isso é um outro assunto.

A comida italiana estava ótima, bem variada, mas o que se destacou no cardápio foram os croissants, uma verdadeira obra prima.

Nada melhor depois de saciada a fome, deliciar-se com um croissant macio, perfumado, no ponto e novinho. Juro que me senti em estado de graça, fechava os olhos e não conseguia parar de elogiar e suspirar enquanto comia (tanto que meu filho provou só para imitar o jeito que eu comia...) mas tudo bem, não dei bola para o deboche e continuei me apaixonando por aqueles croissants a cada mordida que dava. Eram perfeitos. Dignos de se comer ajoelhada.

Minha vontade foi de ir até a cozinha e dar um beijo no chef. Óbvio que não fiz.

Minha memória afetiva veio à tona. A última vez que me lembro de comer esses maravilhosos folheados feitos de forma tão perfeita foi no falecido restaurante francês Le Cap Ferrat, em Porto Alegre. Um minuto de silêncio por ele...

Depois de me perder sem salvação no meu pecado capital, ficou a vontade de voltar no Kinder ovo, que também atende por Gioia Mia. Realmente uma preciosidade.

Vie longue aux bons restaurants!

21/03/2008

Brinquedinho Novo

Mal terminei de postar sobre a Mallu e já pensando em colocar um vídeo do Velvet por aqui, fui surpreendida pela chegada do meu mais novo brinquedinho. Um laptop branquinho, como sempre quis.
Isso significa duas coisas: meu aniversário já está rendendo frutos e terei agora mais liberdade e agilidade para minhas viagens na net, pois me libertarei de vez da cadeira e da sala do pc.
Outro que ganhou foi o coitado do meu marido, que agora poderá navegar pela net em paz, sem ter que dividir comigo o monitor.
Desconfio que esse presente tenha sido dado justamente com essas intenções... mas não importa o motivo ou intenção, o que importa é que eu ganhei!
Então, fico por aqui hoje, pois aquelas duas caixas na entrada da porta estão quase roucas gritando por mim :)
Ah!! Em tempo; Feliz Páscoa aos que comemoram essa data, pois aqui é um dia normal. Bom feriado e muitos ovinhos pra vocês! (como eu queria poder comer um ovo Mundi enorme...), curtam esse feriadão, dessa vez sem mim, mas lembrem de mim!! bjs

07/03/2008

Contrariando os Motivos

Minha imunidade tem caido tanto quanto o dólar. Ontem de noite foi-se mais uma unha, mesmo depois de já tê-las cortado radicalmente. Também há esse maldito cafunchô que resolveu fazer morada em meu nariz, me tornando uma pessoa fanha.
Enfim, há motivos de sobra e tantos outros para me aborrecerem e me deixarem down; mas, contrariando as Leis de Murphy, hoje estou feliz.
Sou uma pessoa bem simples, apesar do ar sofisticado como algumas amigas por aqui me definem, gosto e me realizo com pequenos prazeres.
Fico feliz ao ler um bom livro, fico feliz ao abrir o email e encontrar uma mensagem de alguém que amo, ao dirigir despreocupadamente e sem rumo, ao ouvir uma boa música bem alto, ao contemplar o mar e dele absorver as respostas que procuro, ao ver a neve, ao ver um por do sol, ao ver um bebê sorrindo, ao cultivar plantas; que juntamente com a fotografia, se tornaram meus hobbies favoritos por aqui, ao tomar um chimarrão bem cevado falando frivolidades ou mesmo solitária, ao tomar um copo de Coca bem gelada quando a sede me consome, ao ganhar presentes, não importa o que, desde que tenha amor da parte que presenteia.
Isso me lembra um presente que ganhei no ano passado, de minha amiga Valéria. Ela me deu um vasinho com sementes de mini rosas para plantar. Junto, uma declaração de amizade linda e a explicação de que eu havia plantado uma flor no coração dela, portanto, o plantio dessa semente era a materialização de nossa amizade. Esse sem dúvida, foi um dos presentes mais importantes que ganhei na vida. Por ser singelo e por ter alma.
É possível ser feliz mesmo nos momentos adversos. Mesmo quando a vida não nos dá motivos para sorrir, buscar momentos de felicidade se faz necessário para o nosso bem.
Caso contrário, corre-se o risco de nos tornarmos pessoas carrancudas e rabujentas, o que além de ser péssimo para a aparência é maléfico para a saúde.
A prática do exercício da felicidade, se não for o remédio para todos os males, pelos menos é um bom paleativo.
Enaltecendo esses momentos fugazes, conseguimos levar a vida de forma mais serena, além de ajudar na solução ou na assimilação dos problemas mais difíceis.
Pelo menos é assim que vejo as coisas. Não sou um Dom Quixote. Sei de minhas limitações diante o percurso da vida; e exatamente por esse motivo, busco ser feliz nas pequenas coisas. É como se fosse uma bateria ecológica, que vai armazenando energia para o momento em que será necessário o seu uso.
Ser feliz pode não ser tarefa fácil, mas procurar ser feliz na simplicidade das coisas é. Isso deveria ser o ideal de todos, pelo menos eu tento fazer com que seje o meu.