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09/11/2010

Você nota que tá ficando velha quando...

Seu filho de 10 anos (quase 11) chega e conta que tá namorando;
Sua filha de 6 já fala que você é quase uma bachian* (COMO ASSIM?????);
Você pensa mais de uma vez e sempre acaba protelando o dia em que vai começar a fazer caminhada, já antevendo a dor nas pernas e nas costas;
Já não tem mais saco pra lugares muito cheios, barulhentos e cheio de gurizada;
Encontra um ou dois cabelos brancos nos seus cabelos que até então eram somente pretos;
As marcas de expressão que se formavam ao sorrir agora são permanente e ganham o nome indigno de pés de galinha.

E vamo para por aqui enquanto ainda me resta alguma dignidade.


* bachian (leia-se batian signica avó ou popularmente, véia mesmo)

17/11/2009

O Lado B da viagem à Disney

Como sou Cherry Queen Forever, não poderia ter ido à Disney sem fazer juz ao meu título. Eis aqui alguns dos erros de filmagem ocorridos ao longo do percurso.
A organização do passeio ficou por conta de uma amiga, nem nos preocupamos com nada. Pagamos e ficamos na expectativa da viagem.
Foram aproximadamente umas 30 pessoas, todas colegas de trabalho e familiares.

Nos encontramos pouco depois das 2:20 da manhã, na conveniência que tem aqui perto de casa e lá constatei que o ônibus que eu imaginava ser grande, leito e bonito não passava de uma banheira feia, antiga e desconfortável.

Já dentro do ônibus e razoávelmente longe, lembrei que havia esquecido os 2 guarda-chuvas novinhos da silva que levaria, pois já sabíamos que choveria em Tokyo até o meio dia.
Paciência. Exercitei a calma, mesmo vislumbrando o que me aconteceria, afinal de contas, não se vai à Disney toda hora.

Os bancos reclinavam só um pouco e eram duros e estreitos. O que dificultou o descanço.
O pouco que se dormiu foi por pura necessidade do corpo. Aliás, um aviso de amiga, desconfie quando o transporte for barato demais.

E assim seguiu-se a viagem noite afora tentando arranjar uma posição que fosse razoavelmente confortável, até que lá pelas 5 da manhã, o ônibus parou.
Vocês pensaram o mesmo que eu né? Que tinha estragado a sucata?
Não foi isso, ufa!!!
Foi um baita acidente envolvendo um carro e um caminhão. O carro novinho só sobrou a traseira. Aqui acidentes são raros, mas acontecem. E óbvio que eu tinha que estar na tranqueira que se formou por causa dele. Normal.

Bueno, depois de algum tempo seguimos viagem, e a medida que Tokyo ia se aproximando a chuva forte vinha junto e quando chegamos ao parque, caía o dilúvio do céu.
Esperamos dar uma aliviada na chuva e entramos, mas como aparece nas fotos, meu cabelo já começava a se rebelar.
Pior do que o cabelo estragado, foram os vários escorregões que tive.

Fui com uma bota de camurça com pelos por dentro que por aqui é acessório indispensável no frio. O detalhe é que a minha já era do inverno passado e de tanto usá-la o solado estava gasto, já que o mesmo é daqueles retos, ficando igual a um pneu careca.

Eu tinha dó de colocá-la fora, mas depois dela quase me levar ao chão algumas vezes por lá, o destino dela foi o lixo quando cheguei em casa.
Como se não bastasse o cabelo estragado, os escorregões e os banhos de chuva, atolei os dois pés em poças d'água camufladas e passei o dia inteiro com as meias molhadas e a sensação de frio que isso provoca.

Enfreitei tudo isso com uma resignação que eu desconhecia ter e tentei aproveitar da melhor maneira possível o passeio.

Na volta, fiquei pensando se encontraria meus guarda-chuvas, tentando me convencer de estariam lá, que mesmo tendo chovendo forte aqui ninguém pegaria, que aqui é Japão e ninguém pega nada que não é seu e tralálá com bolinhas molhadas.

Encontrei apenas o guarda-chuva do meu filho. O meu, novinho e rosa havia sumido.
Roguei praga para a pessoa que o pegou mas não fiquei muito surpresa.
Afinal de contas, morar em um bairro onde há muitos estrangeiros infelizmente é assim.
Eles não têm a cultura de não pegar o alheio, o que é lamentável.

E depois dessa odisséia que foi meu passeio ao mundo encantado da Disney, a minha cereja do bolo, o meu troféu de honra ao mérito veio em forma de uma imensa gripe, que me derrubou já no domingo e me mantém em nocaute até o presente momento.

Da próxima vez, eu olho a meteorologia com pelo menos 3 dias de antecedência.

08/07/2009

pequenas tragédias pessoais

Sabe aquela bermuda branca, linda, de grife e com excelente corte que a gente usa num passeio ou quando quer se sentir bem?

Pois é. Coloquei a minha hoje e ela não fechou.

Como se isso não fosse o bastante, enquanto to escrevendo isso pra exorcizar o espírito obeso que tá aqui do meu lado rindo de mim, na hora que eu fui engolir o suco de laranja, me engasguei e voou suco por toda a minha cara. As cerejas do bolo realmente me amam.

Nada mais a declarar por hoje.

10/09/2008

Bossa (velha) Nova l

Alguns com certeza me crucificarão sem direito a salvo conduto por dizer que a bossa nova, ritmo símbolo da elitizada geração dos exilados políticos nos anos 50, inventada por João (mala) Gilberto e Tom (tdb) Jobim é um ritmo cult para ouvidos treinados com boa música e boa educação (de preferência no estrangeiro).
Pois sinto muitíssimo em informar-lhes que a bossa nova perdeu seu glamour. Pelo menos aqui no Japão (e em outras terras de gringo também).
Fui acostumada com o ritmo e o ouvia com uma certa freqüência por influência de meu pai na infância. O que me fez conhecer razoavelmente músicas, letras e intérpretes. Na minha fase teen, como toda a aborrescente que se preze, queria ser diferente, o que significava ser igual aos amigos e por isso não divulgava esse meu gosto "um cantinho um violão" para quase ninguém.
A vida segue o barco e na descoberta de novos ritmos, a bossa (velha) nova foi esquecida numa dessas gavetas da alma. Até que passados 15 anos, vim parar no Japão e para minha total surpresa, a mesma já morava aqui fazia tempo e veio me dar as boas vindas, ou pelo menos era isso que eu imaginava .
Mas não foi na casa de um conterrâneo, ao qual eu tenha ido visitar pra contar as últimas da terrinha e presenteá-lo com alguma iguaria brazuka, mas quem diria, numa loja de departamentos nipônica.
Me lembro ainda da felicidade ao ouvir aquele barulhinho bom tão familiar aos meus ouvidos, tanto que o sorriso só se defez pra dar lugar ao canto rasgado em plena seção de panelas e utensílios domésticos.
Enquanto me enchia de orgulho e me sentia familiarizada com tudo ao cantar uma música em português na terra das palavras indecifráveis (pelo menos pra mim, na época com apenas 1 mês por aqui), percebia também alguns olhares e um funcionário da loja sempre perto de mim.
Fiquei me sissi com o momento e pensando: "esse cara quer ouvir eu cantar"... E ali fiquei, ensebando, cantanto e me achando a última bolachinha recheada do pacote por aquele "fã" improvisado. Até que o lado zen chegou todo zen e me fez despencar sem pit stop do palco.

lado zen - Sabe esse funcionário ai?

a besta aqui- Hum hum! Ele é meu fã e tá aqui pra me ouvir cantar bossa nova, depois ele virá e me pedirá um autógrafo na camisa, a qual nunca mais será lavada.

lado zen - (risos) Mas tu viaja na maionese né! Ele tá aqui por que viu que tu é brasileira e tá cuidando pra ver se tu não vai roubar nada!

a besta, agora bege com a revelação - Como ASSIM?????

lado zen, tentando não rir da minha tragédia (por que o humor negro dele é mais dark que o meu) - Aqui no Japão, algumas lojas colocam bossa nova como uma espécie de "sinal" de que brasileiros entraram, com isso os funcionários ficam espertos para evitar roubos.

eu, além de anta, agora arrasada pela minha carreira brilhante que acabou antes de começar , olhei bem pro funcionário e disse: Watashi wa dorobo jyanaiô!!!!!!!*

o vendedor com cara de pastel: sumimassen, sumimassen**...

E assim ficou registrada na minha memória o dia em que minha carreira de famosidade encerrou antes do primeiro bis. Daí que há 6 anos atrás, era essa a finalidade da bossa nova como música ambiente. Todavia, hoje isso mudou bastante, pelo menos nas grandes cidades, mas isso fica pro segundo post sobre o assunto.

tradução livre e simultânea:
* Eu não sou ladra!!! Seu babaca, sem coração e preconceituoso!! Frustou meus sentimentos e sonhos de fama e glamour no mundo do show bizz nipônico!!! Nunca mais olho pra tua cara, nunca mais saio na rua e não entrarei mais em loja alguma!!!

** Desculpa, lamento!!!! Eu juro que não queria te magoar, não foi minha intenção, mas sabe como é, minha gerente é uma bruxa recalcada, me obrigou sob a ameaça de chibatadas a ficar no teu encalce, mas pra ser honesto, amei sua voz... Me dá um autógrafo? Pode ser na minha camisa, prometo guardá-la eternamente...