Mostrando postagens com marcador mundo japa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mundo japa. Mostrar todas as postagens

18/03/2011

Dedicado às vítimas do Japão, Ame ni mo Makezu 「雨ニモマケズ」

Como disse no post anterior, no site kizuna311,  existem outras mensagens de apoio e solidariedade ao povo vítima da catástrofe.  
Transcrevendo as palavras de Watanabe san sobre o que consiste esse site:
 " Nós japoneses podemos ter orgulho na nossa "Kizuna", a  solidariedade que nos une.  Para superar esta dolorosa catástrofe, temos de encontrar uma forma de unir e encontrar o nosso Kizuna entre as pessoas.
 Decidimos criar uma biblioteca de vídeos, mostrando o poder e benefícios dos esforços de trabalho voluntário. Queremos transmitir a mensagem de esperança para as vítimas e acender uma luz no coração de cada um. Entendemos que cada mídia tem seu papel. Nós gostaríamos de mostrar um ponto de vista diferente do que a mídia de massa relata todos os dias.Esperamos que nossa mensagem mostre os esforços edificantes que nós, japoneses estamos fazendo para nos unir e ajudar uns aos outros a reconstruir nossas vidas após o terramoto e tsunami.  Acreditamos que esta mensagem possa inspirar o poder de Kizuna entre as vítimas dessas tragédias, e possa demonstrar o nosso Kizuna para o mundo. "
No post anterior, coloquei o vídeo feito para o mundo.  Abaixo, a mensagem de Ken Watanabe para os japoneses, em que ele recita o poema " Ame ni mo Makezu", de Miyazawa Kenji.




Tradução:
Forte na chuva (Ame ni mo Makezu)


Forte na chuva
Forte no vento
Forte contra o calor do verão e da neve
Ele está saudável e robusto
Altruísta
Ele nunca perde a paciência
Nem o sorriso tranqüilo nos lábios
ele come quatro porções de arroz todos os dias
Miso e alguns vegetais também
Ele não se considera
Em qualquer que seja a situalçao, o seu entendimento ocorre ...
Vem da observação e da experiência
E ele nunca perde de vista as coisas
Ele mora em uma cabana com telhado de palha
Em um campo nas sombras de um bosque de pinheiros
Se houver uma criança doente no leste
Ele vai lá para cuidar da criança
Se há uma mãe cansada no oeste
Ele vai até ela e ajuda com os feixes
Se alguém está perto da morte no sul
Ele vai e diz: "Não tenhais medo"
Se há conflitos judiciais no norte
Ele exige que as pessoas coloquem um fim à sua insignificância
Ele chora na época da seca
Ele procura o vento durante o verão
Todos o chamam de "Blockhead"
Ninguém canta seus louvores
... Ou o leva a sério ...

Esse é o tipo de pessoa
que eu quero ser


(descupem eventuais falhas na tradução, mas algumas coisas nao consegui traduzir)

29/04/2010

A Insustentável leveza do Sakurá lll

Para quem é curioso e sempre quer mais como eu, deixo aqui o link com as músicas de sakurás mais famosas, ouvidas, executadas e cantadas em karakokê japoneses. É só clicar nos títulos. (sei que muitos sabem disso, mas não custa ser didática para os menos informados...)

Sakura - Kobukuro

Sakura - Naotaro Moriyama

Sakura Iro - Angela Aki

Espero que gostem. Assim como eu e toda a torcida do Dragons.


A (in)sustentável leveza do sakurá II

Os parênteses no título são propositais, pois nesse post vou mostrar como uma flor tão frágil e efêmera movimenta o comércio e gera lucros astronômicos para empresas e agências de publicidade.
Como disse no post anterior, na primavera TUDO gira em torno dos sakurás. Veja e ateste por si.


Salgadinho de camarão em formato de sakurá.

Linha de produtos do meu adorado Starbukcs.

Sakê. Esse é bom

Moti feito com sakurá. A Yuyu ama isso.

Essa uma das várias linhas de cosméticos com sakurás.

Do meu amado Starbucks, frapuchino de sakurá com raspas de........sakurás!



Propaganda de uma marca de chá de sakurá

Sakê em copo decorativo. Rápido e prático para beber.


Guias completos sobre lugares, datas e florações do sakurá em todo Japão.


Balinhas fofas


Um dos inúmeros chocolates vestidos de sakurás em abril.


Soumen. Massa de arroz tradicional do Japão e muito consumida no verão pelo seu frescor, nesse caso, com sakurá


Mostra de uma página do Guia Sakurá


Game lançado na primavera. Como tudo lançado nessa época, tem sakurá na jogada.


Aqui é moda unhas decoradas. Essa até que tá bem simples, por que o normal é usar um carro alegórico nos dedos... Abaixo, Kit de unhas sakurá.


Isso é típico de japa. Eles têm uma imagem tão séria para o mundo que fazem de tudo para quebrar isso. Mesmo que seja bancando um idiota. Eles adoram. Na foto, apetrecho de cabeça para festas.


Representando os cds,dvds e literatura. Livro com contos poéticos sobre sakurás lançado esse mês.

Acima, bolo de sakurá. Abaixo, Embalagem comemorativa de 2 das cervejas mais consumidas por aqui.

Acima, embalagem com 6 latinhas. É assim que se vendem os pacos como são chamados aqui. E abaixo, latas de Chu-hi (leia-se tchuhai). Uma verdadeira delícia!!! Sakê com fruta. Eu amo. Apesar de ser sakê, seu teor alcólico varia em 1%, enquanto as cervejas ficam em 4%.Mais comidinhas. Chás, geléia e potinhos com umeboshi. Abaixo, conjunto de toalhas e sabonetes. Essas embalagens são muito tradicionais por aqui. São os chamados omiyages, pequenas lembranças que se dá as pessoas quando se volta de viagem, quando se vai visitar e outras formalidades que só tem aqui. Só pra constar,o mundo dos omiyages não consistem só em toalhas

10/10/2009

Sobre o domingo passado

Entonces... Falando sobre o domingo passado, lado zen foi convidado para participar do omikoshi matsuri* do bairro dos amigos dele ( sim, por que do nosso bairro a gente nem sabe quando acontece (depois quando eu chamo meu bairro de interior o povo dá risada) e se existir é bem pequeno. Esse era maior por que o bairro é importante. Leia-se bairro onde impera la máfia japonesa). Na foto abaixo, lado zen de azul e amigos antes do bicho pegar.

Já na concetração, o movimento era tão grande quanto a espectativa dos debutantes.
O tiozinho do saquê andava no meio do povo preocupado em não deixar ninguém sóbrio, digo, desidratado, logo largou um fardo de latinha de cerveja pra nós (detalhe: isso era quase 10 horas da manhã).

Aliás, o véio era simpático, gente boa e tinha como acessório permanente uma gigante garrafa de saquê, que era prontamente substituída ao cada término da mesma. Essa caixinha de madeira na mãe dele na foto abaixo é o copo do saquê.

Logo na segunda parada, ele me faz tomar um gole de saquê na marra. Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, molhei a boca com a bebida pra não fazer desfeita e ele ficou feliz e me deixou em paz. Depois fiquei sabendo que ele é um dos chefões da yakuza daquele bairro.
O omikochi vai parando na frente das casas das pessoas que contribuem financeiramente e nos estabelecimentos comerciais que contribuem com aperitivos e bebidas - cerveja, saquê, chá, suco - para todos os participantes.
Os homens carregam o dito e os outros moradores do bairro, esposas e crianças vão atrás.
O percurso é muito longo, com várias paradas para comer, beber e descansar.
Lembram da minha cara de panda albino? Caminhamos das 10 da manhã até quase 5 da tarde!!!! Nem quando eu ia em procissão da Santa Rita e da Nossa Senhora dos Navegantes eu caminhava tanto...
Nessa carro vai o taiko (esse que a mulher tá tocando) e as outros instrumentos menores que são tocados pelas crianças que vão dentro dele.

Esse é um dos nossos amigos numa das paradas para descanso. Dá pra notar a cara de "tô só o pó da rabiola" que ela tá?
E lado zen todo todo que nem criança quando vê novidade.


Esse tiozão não carregou nada, não falou nada, não bebeu nem comeu nada. Sempre com essa cara indecifrável. Dá pra sacar o que ele é né? Então, esse é dos grandes.

E, como atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, atrás do omikochi vai a gente pra rir muito, tirar fotinhos, comer e beber de graça. Ô povinho festeiro esse aqui de casa......

Olha o vermelhão do rosto da pessoa....

* TECLA SAP:

" Omikoshi é um altar portável do xintoísmo muito utilizado em festivais de rua no Japão. Os carregadores do Omikoshi balançam-no, imitando as ondas do mar e freqüentemente gritando “washoi washoi”, para dar ritmo e força aos participantes. Sua primeira participação foi registrada no século VIII, na transferência da divindade do tempo de Hachiman, em Kyushu, para a província de Nara, onde deveria proteger a construção do Grande Buda, no Templo Todaiji. Dois séculos depois, a prática havia se tornado comum em Kyoto, onde o Omikoshi era carregado num festival realizado para apaziguar os espíritos maus que causavam epidemias. No Japão, diversos festivais são realizados tendo como atração principal o Omikoshi e como palco as ruas, que são ornamentadas, recebendo diversos quiosques de doces, salgados e de jogos típicos para crianças. Um Omikoshi pequeno pode ser carregado por dez pessoas, mas os maiores precisam de mais de 100 pessoas."

Miss Yang tá sempre pronta com disposição e amor no coração quando se trata de passeios, vida social e festividades japonesas.

03/10/2009

Me Engana que Eu Gosto!!!!











Então... Alguém sabe me dizer que tem de especial nesses maravilhosos pratos?
Ninguém se habilita?
SÃO TODOS FALSOS!!! ISSO MESMO, FAKE FOOD da melhor qualidade!!!!
Quando digo que moro no país das maravilhas não é em vão. Aqui, a maioria dos restarantes têm uma vitrine com fakes de seus pratos feitos em resina ou mão. Na grande maioria a perfeição é tamanha que até assusta.
A vantagem é de poder escolher o que quer comer sem ter que entrar no restaurante, pois além da imagem tem também o preço do prato, evitando surpresas.
Quem acertou, vem até aqui que eu pago uma pizza. hohohoho





25/08/2009

Gente em Conserva

Essa piscina fica em Tókyo. 
Daí fico imaginando como um vivente em sã consciência consegue se divertir nesse aglomerado de bóias multicoloridas e de pessoas se estapeado por um lugar na água com cloro e outros elementos orgânicos não tão agradáveis.

Tá certo que o calor aqui do Japão é coisa de Dante, mas isso já é tortura sufiente para alguém com um pingo de sensatez se penalizar por todos os seus pecados ao ponto de querer espontâneamente enfrentar uma situação como essa. 
E o pior de tudo, é que esse povo ainda vai com um sorriso nos lábios e muita vontade e alegria no coração. (e ainda diz que foi se divertir...)

Eu definitivamente não combino com essa paisagem. Nem se fosse a metade da metade desse povo aí da foto eu topo uma parada dessas. 
Claro que têm piscinas temáticas maravilhosas no Japão. Com onda, sem onda, com coqueiro, in door, com tobogan, com cascata e muitas outras originalidades artificiais que só os japoneses sabem fazer.

Mas, eu ainda prefiro uma praia ( quase no final do dia, pois com sol a pino nem pensar), nem que seja pra ficar sentada na areia olhando a familia dentro da água ou mesmo caminhar na beira dela, coisa que adoro. 
Ou um rio, que também é costume por aqui e ao meu ponto de vista, muito mais agradável, afinal, a água é corrente e leva embora a sujeira.
Quem me conhece já sabe, nem adianta me convidar pra um domingo na piscina por que eu tô fora.
Podem me achar meio estranha ou até mesmo esnobe, mas odeio aglomerado de gente, só de imaginar esse povo me cutucando já tenho vertigens. Prefiro a sensação de liberdade e paz que só  a natureza e um local aberto pode oferecer.
 
De uma vez por todas, dá pra entender agora por que não gosto de piscina? 

14/07/2009

Gostei, tem meu número?

Como citei no post abaixo, relato a minha tragédia pessoal no tortuoso mundo da moda japonesa.
Várias vezes passei raiva no Brasil ao comprar roupa e continuo passando no Japão, onde as estatística está contra mim e a maioria das japa louca bulímica comem que nem passarinho e são tão magras como um graveto ressecado.
Visualizem a cena.
Eu, com sobre-peso, todo concentrado na região abdominal, me dando a sensação de que minha vida é um eterno sábado de sol na piscina (pelo menos a bóia já tá incrustada na cintura e virou ítem de série) vou a uma loja e meu DNA me obriga olhar as roupas e naturalmente querer experimentá-las.
Aí começa o Armagedom.
Aqui a numeração é diferente. Mudam os números, mas não a vontade de pegar uma adaga e tirar tudo que tá sobrando.
A numeração adulta normal começa no 32 e vai até o 73. Por mais irritante que possa parecer, a maioria das japas usam numeração 34, 36.
Odeio elas por isso.Casualmente o meu número aqui estacionou no 73, achando que ele é cabalístico e não querendo sair daí de jeito nenhum.
Começa então a saga peregrina no tortuoso mundo do garimpo têxtil.
E eu, além de ter colocado tatu no pão da Santa Ceia e do Ki-Suco de groselha no lugar do vinho, no meu estágio de Relações Públicas troquei as plaquinhas da mesa e Jesus teve que sentar no lugar do Judas...
Sim, por que essa merda de número cabalístico 73 tá tão escondido, que não encontro ele em nenhum cabide das roupas que mais gosto. Ele virou popstar e só aparece quando quer, geralmente em apresentações solos e shows limitados, o que leva eu e mais uma boa parcela de estrangeiras e algumas japas que desfrutam sem culpa nos prazeres da gula, rolarem no chão e se estapiarem pra conseguir levar essa raridade pra casa.
Mas por que estrangeiras?
Simples. Nós temos bunda grande, japas não tem nada em casa. E aí nós caímos no tiroteio de faroeste da lei de oferta e procura. Poucos números cabalísticos pra muita bunda e banha reunida.
Essa é minha saga por aqui. O preço que pago por comer bem e com vontade e depois não me punir chamando o Ugo como as japas anoréxas fazem.
Mais meus dias de Diva Renascentista estão contados. Quem viver, verá.

27/06/2009

Sobre o Tempo

Hoje fez um sol divino. Acabo de chegar em casa, teve uma reunião no grupo de escoteiro do Lo para informar do acampamento do mês que vem.
TRÊS DIAS!!!! Sabe o que isso? TRÊS DIAS que meu filhote vai dormir fora de casa, numa outra cidade, com pessoas estranhas, em saco de dormir, cheio de mosquitos e outros insetos, sem nenhum conforto, sem a mamãe e ele tá AMANDO!!!!!

Ai meudeus... por que ninguém ensina que cortar o cordão umbilical é tão difícil e doloroso...
Hoje quando ele ligou todo feliz pro Tanchou pra saber se tinha que levar alguma coisa, por que havia a terrível possibilidade deles dormirem HOJE (como assim?) em um acampamento improvisado pra acostumar; o lado zen ria de chorar da minha cara pelo meu desespero de ter um filho longe da minha asa.

Ai g.zuis... agora sei o que minha maezinha passava quando eu ensaiava meus primeiros vôos... tadinha... mas assim caminha a humanidade né Lulu?

Enquanto o mês que vem não chega, ele já foi providenciando o Teru Teru Bozu pra pendurar na janela por que tá prometendo chuva amanhã e eles querem é andar de bicicleta até ficarem o pó da rabiola. Se bem que criança não cansa. Nunca por sinal. É na hora que cansa, apaga.
Será que se eu pendurar um Peter Pan e uma Sininho na porta eles param de crescer?


Esse é o Teru Teru Bozu. As crianças japonesas acreditam que ele tem o poder de afastar a chuva, quando pendurado desse jeito e de trazer a chuva quando pendurado de cabeça pra baixo. Nessa época do ano, que já é bem quente, é comum ver muitos teru teru pendurados pelas janelas das casas.

Miss Yang já sofre por antecipação ao imaginar seus bebês virando gente grande e saindo de casa.

05/11/2008

Das Comidas Dessa Terra - Obentô (marmita, para os íntimos...)

O que no Brasil é coisa de pobre, no Japão faz parte da cultura. O hábito da marmita (aqui chamada de obentô) é adquirido já no jardim de infância e acompanha o vivente até até fim da vida.

Aqui, um obentô não é somente aquele lanchinho que vai acalmar as lombriga na hora do almoço; ele significa amor, apego e dedicação de mães caprichosas (quando os apreciadores são crianças em fase escolar ) que seguem a lei das cinco cores (vermelho, amarelo, verde, preto e marrom) para preparar o obentô de seus filhos, dividindo os alimentos em cinco grupos por proximidade de cor. Isso permite compor uma refeição mais vistosa, além de proporcionar um balanço nutricional.

Além de alimentar, divertem e ficam parecidos com obras de arte ou desenhos animados, de tão bonitos e coloridos. Na escola, em dias de passeio, a criançada leva obentô (dias normais têm alimentação balanceada fornecida pela escola) e a disputa para ver quem traz o mais bonito é tradicional.


Algumas crianças, principalmente as estrangeiras, ficam chateadas por que suas mães não fazem (ou por que não entendem o que isso significa ou por que não tem tempo) um obentô biito pras cria ficar feliz e se sentir importante.


Minha prole não tem do quê reclamar... Como eles têm uma mãe seqüelada que parece que não teve infância (e olha que a minha foi boa!) e pensa que nem japa (isso quando se trata de ser lóide), eles sempre levam bentozinhos decorados e caprichados, pra ficar contente e se sentir integrado com os coleguinhas. E é bem legal, já recebi elogio de profes e de mães pelos obentôs que fiz.

Olha a minha bizuguinha goly goly detonando o bentozinho, já quase sem nada!

Essa é a seção de bentobako (marmitex) e acessórios, existente em qualquer loja japa.

Os adultos também são adeptos, e a maioria compra pronto nas lojas de conveniência por ser mais rápido e prático. (Fazer obentô exige tempo e dedicação) Abaixo, uma mostra do obentô de adulto.


É gentem, o negócio é sério! Japoneiz é mais seqüelado do que eu...

Das Coisas Dessa Terra - Fakes I

Na terra dos zóinho puxado e do pintinho pequeno (ai que maldade... ), nem tudo, aliás, quase tudo, o que parece não é.

Quando cheguei aqui há 6 anos atrás, logo que descemos na estação da cidade onde minha cunhada morava (por que agora ela tá na outra terra de povo sem noção: Portugal), vi uma casa de tijolinhos e me encantei. Daí que meu cunhado na época me falou: Não te emociona que aqui é tudo de mentirinha... (, eu vim pro Japão ou pro País das Maravilhas? Aqueeele, da Alice... lembra?)

E ele tem razão. As casas têm revestimento imitando tijolos à vista, salpicado, textura e o escambau, tudo de mentirinha. Os papéis de parede seguem pelo mesmo barco e o piso do chão tbm (o meu é chamado de colchon floa; fofo de pisar e ecológico, que não junta poeira por que não é poroso e não pega fogo), o meu imita madeira pinos. Nas praças, há bancos de cimentos com formato de tronco de árvore (incluindo as nervuras da árvore e a cor). Nas lojas de jardinagem então, é uma beleza! várias coisas imitando madeira, lajota, plantas e afins tudimintira.

Bueno, aqui tem fake pra tudo. E nas lojas não poderia ser diferente. Tem imitações dos produtos idênticas, para o povo poder saciar a vontade de ver com as mãos sem arregaçar a bagaça. Desde celulares, Ipods, mp3 até máquinas fotográficas e impressoras. Esses aí de baixo são tuudo fake


Uma coisa é certa, esses mostruários não são úteis apenas para se ter noção do produto. Eles servem pra diversão da geral, que não perdoa quando um patrício desavisado paga um mico relacionado aos fakes, principalmente os que parecem comida. Mas isso é uma ouuutra história...

17/10/2008

Das Comidas Dessa Terra - Daikon: El Peidon

Num post muito muito muito distante, falei sobre as coisas que se come por aqui de uma forma "anpasãn" (chic né?).
Pois bem, devido aos inúmeros emails, vários telefonemas, milhares de scraps, mensagens no msn e torpedos no celular, resolvi dar início a série "Das Coisas Dessa Terra - Comidas", onde mostrarei de forma rápida e ilustrada as inúmeras nojeiras, digo iguarias, e toda a sorte de coisinhas e coisões que se come por aqui. Depois seguirão outros subtítulos como, transporte, curiosidades, hightech e escambal.

Se por ventura eu esquecer algo, peço aos meus queridos leitores que dividem o título de imigrantes comigo para que contribuam com sugestões.

Pra começar, falarei do DAIKON (que eu chamo de Peidon, por seu cheiro que parece uma bunda de neném suja de caca) que no Brasil é conhecido por nabo. Passar por uma plantação de daikon é pedir pra voltar pra terra e prometer que será bonzinho nos próximos 15 anos. Essa iguaria é apreciada ralada como guarnição ou cozida com sake de culinária e uma pitada extra de açúcar. Seu sabor vai modificando a medida que seu cozimento aumenta.

Escolhi esse tubérculo para inaugurar a seção para poder compartilhar com vocês uma linda, comovente e lógico, sem noção história que aconteceu aqui (onde mais poderia ser?), cujo o protagonista/vítima é um daikon gigante. Leiam e depois debulhem-se em lágrimas (pode ser de tanto rir, como preferirem...)

" Nabo gigante em perigo no Japão

É normal que pessoas fiquem comovidas quando um ser humano ou um bichinho está doente e internado no hospital. Agora, quando isso acontece por causa de um nabo...

Mas esta história ocorreu no Japão.Tudo começou em julho, quando os moradores da cidade de Aoi notaram que alguma coisa estava nascendo no asfalto da cidade. Tratava-se de uma espécime do tipo "daikon", um nabo gigante que chega a pesar 18,5 quilos.O nabo é um ingrediente muito usado na culinária japonesa, acostumado a crescer em campos, este nabo tornou-se especial pois superou todas as dificuldades e obstáculos para se erguer na calçada. Impressionados com a perseverança do vegetal, os moradores o batizaram de Dokonjo Daikon, ou "nabo com espírito de luta" (ai Jesus apaga a luz!!!!).

A partir daquele momento, o super nabo tornou-se o mais novo habitante da cidade, adorado por todos os vizinhos, reverenciado até pelas autoridades.Tudo estava correndo muito bem até que, numa noite de sábado, alguns vizinhos foram dar uma olhada no nabo ( por que eles não tinham nada mais interessante pra fazer) e o encontraram sem a cabeça e uma parte superior do corpo. O nabo tinha sido decapitado!!!

A população japonesa foi tomada de uma comoção e tristeza tamanha que, três dias depois, o 'assassino' devolveu as partes cortadas do nabo. Ele colocou-as ao lado do que restou do pobre vegetal.(com uma plaquinha dizendo Desculpa ai, foi mal...)

Na esperança de salvá-lo, representantes da cidade de Aoi colocaram o nabo em um recipiente com água e o levaram para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um centro de pesquisas agrícolas. (e eu é que sou sem noção...)

Agora os cientistas esperam conseguir extrair sementes ou o DNA do nabo. Eles querem desenvolver técnicas para prolongar sua vida e pretendem deixá-lo incubado até que ele se transforme em um novo e completo nabo. Mas neste caso, a técnica tem poucas chances de sucesso. (e eles realmente não tem mais nada pra fazer...)

A Arte de Ver a Lua e Comer o Coelho

(Era só pra ter a lua como ilustração desse post, mas esses fiadaputya desses gatos tão me perseguindo até na lua!!! cadê o baigon?)

Uma das coisas que mais me encantaram aqui no Japão é ver como esse país é sazonal; como cada estação do ano é bem definida e como tudo muda em cada uma delas.

Por ser um outro mundo, por ter uma cultura milenar e tralálá com bolinhas vermelhas, é muito forte a influência da natureza e tudo que vem dela na vida dos japoneses. Agora que estamos no outono e as primeiras folhas vermelhas começam a apontar nas árvores, entramos na época da colheita do arroz, muito importante para os japoneses, por ser considerado o principal alimento desse povo.

Nessa época, os japongas (e até que não tem os zóinho puxado) gostam de apreciar a lua por ela se tornar maior e mais brilhante (ontem por sinal estava linda!!!!) Esse ritual é chamado de Tsukimi, que significa ver/observar a lua.

Como japa adora uma macumba, digo uma oferenda à seus deuses, também é época de ofertar flores, dango (bolinho japonês) e outras iguarias, pedindo uma colheita farta.

No Brasil, a quem diga que na lua cheia se vê São Jorge lutando contra um dragão, aqui quem mora lá é um coelho fazendo moti (bolinho de arroz). Coisa muito meiga.

E quando a lua está cheia, linda, grande e brilhosa, quem quiser achá-lo basta admirá-la com uma boa dose de criatividade e muita disposição no coração ( um litro de canha na cachola também ajuda) que certamente verá o bichinho (confesso que ontem eu até tentei ver o orelhudo (sem pinga), mas ele foi dá uma banda e deixou só um cartaz: Te Vejo na Páscoa! (...))

Palhaçada à parte, o melhor mirante pra ver (e comer) o coelho é o Mc Donald's; que nessa época do ano tem como atração o Tsukimi Baga (que consiste num maravilhoso hamburguer com ovo, queijo, molho rosé, baicon e pão com gergelim é claro) que desculpem a redundância, mas é algo di-vi-no, ou melhor dyou -tro mundo (entendeu o trocadilho? pois é, não resisti...) Para pessoas como eu se fartarem e ficarem redondas como a lua.
...

E dê-lhe caminhada, acadimia, bicicleta e escadas depois de comer tudo isso...